• Copyright © 2000, Joao Sedycias. All rights reserved.

  • An abridged, earlier version of this paper [“Acrescentando novas dimensões à sala de aula convencional: A Internet e o ensino de espanhol – Adding new dimensions to the Conventional Classroom: The Internet and the Teaching of Spanish”] was presented by the author at the Primeiro Congresso Brasileiro de Hispanistas [First Brazilian Conference of Hispanists]. Niteroi, Rio de Janeiro, Brazil, October 2000.

  • An abridged, earlier version of this paper [“A evolução do paradigma de produção e disseminação de informação e as implicações para o ensino de literaturas estrangeiras – The Evolution of the Paradigm of Production and Dissemination of Information and the Implications for the Teaching of Foreign Literatures”] was presented by the author at the I-ENELLI: Primeiro Encontro Nacional Sobre o Ensino de Literaturas em Língua Inglesa [First National Conference on the Teaching of Literatures in English]. Brasilia, Brazil, November 2000.

  • The text that follows below is the complete and unabridged version of the original paper, which has been published with the same title in Tópicos em lingüística aplicada I – Issues in Applied Linguistics I. Ed. Joao Sedycias. Brasilia, Brazil: Oficina Editorial do Instituto de Letras da Universidade de Brasília / Editora Plano, 2000.

 

A evolução do paradigma de produção e

disseminação de informação e as implicações

para o ensino de línguas estrangeiras

 

Resumo

      O presente artigo tem como objetivo fazer uma breve análise das transformações pelas quais o sistema de produção e disseminação de informação das sociedades ocidentais tem passado nas últimas décadas, enfocando principalmente o advento dos computadores e da Internet e as consequências que essas mudanças têm tido no ensino de línguas estrangeiras. Pretende também examinar as maneiras como nós, professores de língua e literatura estrangeira, podemos usar os recursos disponíveis na Internet para acrescentar uma dimensão útil e completamente nova à sala de aula convencional. Além de identificar e descrever as ferramentas disponíveis na rede mundial de interesse para professores e alunos de idiomas, o presente trabalho também relata a minha experiência na Universidade de Brasília com alunos de espanhol e inglês e o efeito que a Internet tem tido nas minhas atividades como professor e pesquisador de línguas estrangeiras.

      The present paper aims to provide a brief analysis of the transformations which the system of production and broadcasting of information in Western societies has gone through in the last decades, focusing primarily on the advent of computers and the Internet and the effects these changes have had on the teaching of foreign languages. It also proposes to examine the ways in which we, foreign language teachers, can use the resources available on the Internet to add a useful and completely new dimension to the conventional classroom. In addition to identifying and describing the tools available on the worldwide network of interest to teachers and students of languages, the present article also relates my experience at the University of Brasilia with students of Spanish and English and the effect the Internet has had on my activities as a professor and researcher of foreign languages.

Prefácio

      Estamos vivenciando neste exato momento uma das maiores revoluções do conhecimento humano: a saber, o fenômeno sócio-cibernético conhecido genericamente como a “Internet” e a democratização mundial da informação. O conceito de “paradigm shift” (mudança ou deslocamento de paradigma) do historiador norte-americano Thomas Kuhn se presta muito adequadamente como ponto de partida numa possível explicação da reviravolta epistemológica pela qual estamos passando. Assim, podemos afirmar que estamos no presente momento perante uma “mudança de paradigma” de proporções colossais, cujas conseqüências afetarão irrevogavelmente a maneira como a nossa sociedade lida com o conhecimento e a informação. Falo do paradigma que definiu por vários séculos a estrutura e método espistemológico humano, paradigma este que está se metamorfoseando perante os nossos próprios olhos e que está também transformando praticamente todas as áreas do conhecimento humano, a maneira como esse conhecimento é produzido e como o mesmo é disseminado.

Thomas Kuhn e o Deslocamento de Paradigmas

      Dos cinco livros e vários artigos que o historiador norte-americano Thomas Kuhn publicou durante sua vida como professor de história da ciência, o mais conhecido e influente é sem dúvida A estrutura das revoluções científicas1 (1962). Nesse livro Kuhn argumenta que, ao contrário do que se havia pensado até então, a ciência não se desenvolve de acordo com um processo sistemático ou bem organizado, no qual a aquisição de novos conhecimentos é feita de forma contínua e cumulativa. Pelo contrário, a ciência, juntamente com as várias outras áreas do conhecimento humano, progride de forma irregular e relativamente imprevisível, sem seguir as regras do método científico. Para Kuhn a ciência se desdobra em um ambiente regido por períodos de paz intercalados por mudanças violentas ou “revoluções.” Essas transformações radicais constitutem o inerente complemento destruidor da tradição científica, complemento este que, ao mesmo tempo e paradoxalmente, faz parte da atividade tradicional da ciência. Depois de cada uma dessas revoluções, a nossa visão conceitual do mundo é substituida por outra. Na terminologia de Kuhn, um “paradigma,” isto é, o conjunto de crenças e valores compartilhados por uma comunidade, deixa de ter validade e outro toma o seu lugar, num processo de substituição um tanto caótico, através do qual uma visão do mundo é completamente suplantada, sem muita lógica ou planejamento, por outra, que eventualmente será por sua vez substituida por uma terceira no futuro.

      Kuhn define o termo “paradigma” como sendo uma constelação de conceitos, valores, percepções e práticas compartilhadas por uma comunidade, que forma uma visão específica do mundo e da realidade, a qual é a base da maneira como essa comunidade se organiza a si mesma e lida com o mundo ao seu redor. Em outras palavras, um paradigma é o consenso global de uma comunidade no que diz respeito a teorias, leis, regras, modelos, conceitos e definições que postulam o que para essa comunidade é válido e real. De acordo com Kuhn, uma revolucão científica é um evento violento não-cumulativo através do qual um paradigma ultrapassado é substituido por outro que, por sua própria natureza, é incompatível com o primeiro. Isto é, o novo paradigma não pode ser simplesmente uma continuação do seu antecessor. Deve suplantá-lo e geralmente o faz de maneira violenta e radical, da mesma forma que um monarca ou líder político suplanta o seu antecessor à força, muitas vezes chegando a causar-lhe a morte.

      Como exemplos de grandes mudanças de paradigmas na história da humanidade podemos citar as transformações causadas pelas teorias de Copérnico, Darwin, Einstein, Marx, Freud e Picasso. Porém, hoje temos talvez a maior e mais profunda mudança de paradigma, que é a substituição do velho modelo de produção e disseminação de informação pelo sistema cibernético conhecido genericamente como a “Internet.”

A Internet

      Devido às profundas transformações que vem causando, muitos consideram a Internet não somente uma mudança de paradigma extremamente significativa como também um dos avanços tecnológico-sociais mais importantes e revolucionários pelo qual a civilização humana já passou. A distância entre o modelo de produção e disseminação de informação que temos atualmente e o que havia antes do advento da Internet é de proporções gigantescas. Hoje a maioria das pessoas, mesmo aquelas em países de terceiro mundo com uma infra-estrutura limitada, pode, sem muita dificuldade e a um custo relativamente baixo, ter acesso a informações localizadas nos lugares mais distantes da terra, que antes seriam praticamente impossíveis de se obter. Porém, o que faz com que esse simples ato de acesso se transforme em algo revolucionário é o fato de essa pessoa também poder produzir, controlar e disseminar informações em larga escala e até em âmbito mundial. Até pouco tempo apenas as grandes companhias de mídia podiam fazer isso, usando os meios de comunicação convencionais. Essa profunda alteração paradigmática já está afetando, e no futuro com certeza afetará ainda mais, toda a estrutura de produção e disseminação de informações existente no mundo, a qual é controlada atualmente por um número relativamente pequeno de entidades corporativas ou governamentais. Com a Internet uma pessoa qualquer (um professor ou aluno universitário, por exemplo) pode, de sua própria casa, oferecer um serviço de informação de alcance mundial, a partir de um computador pessoal, sem precisar da estrutura que no passado só uma empresa de grande porte podia manter. Esse novo paradigma e o resultante modelo de produção e disseminação de informação abrem perspectivas e caminhos completamente novos com relação aos mercados para profissionais e empresas interessadas em oferecer serviços de informação específica.

      O ensino de línguas estrangeiras tanto na Universidade de Brasília como na grande maioria das universidades brasileiras infelizmente não tem se beneficiado dos modernos e eficientes métodos de ensino-aprendizagem neste campo desenvolvidos na última década. Especificamente, os avanços alcançados nas áreas de computadores e da Internet no ensino de línguas estrangeiras representam um desenvolvimento muito promissor para a nossa disciplina. Esses avanços devem ser estudados, explorados e amplamente utilizados pelos nossos alunos no seu ambiente acadêmico e de trabalho. Só assim eles poderão desfrutar amplamente da extraordinária vantagem de ter ao seu dispor essa tecnologia de ponta e de competir eqüitativamente com os seus colegas de outras instituições tanto no Brasil como no exterior.

      A presente monografia tem como objetivo fornecer informação de como nós, professores de língua e literatura estrangeira, podemos usar a Internet como uma importante ferramenta no nosso trabalho. Além de identificar e descrever os recursos disponíveis na Internet para os professores de idiomas, o presente trabalho relata a minha experiência na Universidade de Brasília com alunos de espanhol e inglês como línguas estrangeiras e o efeito que a Internet tem tido nas minhas atividades docentes.

Breve História da Internet

      Assim como um grande número de invenções e desenvolvimentos tecnológicos dos últimos quarenta anos, tal como o transistor e o microprocessador, a Internet teve sua origem na guerra fria e na corrida espacial entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética. Em 1957, no auge da corrida espacial, a União Soviética pôs em órbita o Sputnik, o primeiro satélite construido pelo homem. Em contrapartida, alguns meses depois o presidente norte-americano Dwight Eisenhower anunciava a criação da ARPA (Advanced Research Projects Agency), com a missão de pesquisar e desenvolver tecnologias de ponta para as forças armadas dos Estados Unidos. Com a finalidade de interligar os laboratórios da ARPA, foi criada uma uma rede de comunicação, que veio a se chamar “ARPAnet.” Essa rede tinha como objetivo principal fornecer canais de comunicação que pudessem continuar funcionando mesmo em caso de um ataque nuclear soviético. Criou-se, assim, o sistema que conhecemos hoje: uma rede predicada na autonomia e na independência individual de suas partes, sem uma central de comando física ou lógica, na qual todos os nódulos que a compõem gozam de plena paridade hierárquica entre si. Dessa forma, caso um dos nódulos dessa rede fosse eliminado (devido a um ataque nuclear, por exemplo), os outros automaticamente assumiriam a responsabilidade desse nódulo de encaminhar informação como se nada tivesse acontecido. A única mudança seria com relação ao nódulo destruido, que já não receberia ou repassaria informação dentro da rede. Os pacotes de informação que antes teriam que passar por ele seriam automaticamente encaminhados por outras rotas, todos chegando ao seu destino sem maiores problemas. Para que a rede fosse completamente destruida, todos os nódulos teriam que ser individualmente eliminados, algo que, dado a extensão do território norte-americano, seria praticamente impossível.

Definições de Termos Relacionados com a Internet

      Para que possamos tornar a nossa discussão sobre a Internet e o seu uso no ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras compreensível para todos os leitores, independente de formação técnica, fornecemos abaixo as definições de alguns termos essenciais para a compreensão dos argumentos que seguem. Essas definições foram extraidas do Dicionário de informática2 da Microsoft Press (1998):

Browser – Uma aplicação cliente que permite ao usuário visualizar documentos HTML contidos na World Wide Web, em outra rede ou no computador do usuário, acompanhar os vínculos de hipertexto e transferir arquivos. Os navegadores da Web baseados em texto, como o Lynx, podem fornecer ao usuário contas shell, mas mostram apenas os elementos de um documento HTML. Entretanto, os navegadores, em sua maioria, necessitam de uma conexão capaz de gerenciar pacotes IP, mas também exibirão os gráficos que estão no documento, reproduzirão arquivos de vídeo e áudio e executarão pequenos programas, como applets Java ou controles ActiveX, que possam ser embutidos em documentos HTML. Alguns navegadores da Web exigem o uso de aplicações auxiliares ou plug-ins para executar uma ou mais tarefas. Além disso, a maioria dos navegadores atuais permite ao usuário enviar e receber correio eletrônico e ler e responder a newsgroups.

[Entre os browsers mais populares estão o Netscape Navigator e o Microsoft Internet Explorer, que existem em versões para diversos sistemas operacionais tais como Windows 95 e 98, Macintosh, Unix e Linux.]

CGI Script – Acrônimo de Common Gateway Interface. A especificação que define a comunicação entre servidores de comunicação (como servidores HTTP) e recursos no computador host do servidor, como bancos de dados e outros programas. Por exemplo, quando um usuário submete um formulário através de um navegador da Web, o servidor HTTP executa um programa (em geral, chamado script de CGI) e passa as informações inseridas pelo usuário para o programa através da CGI. Em seguida, o programa retorna ao servidor através da CGI. O uso da CGI pode tornar uma página da Web muito mais dinâmica e interativa para o usuário.

Hipertexto – Texto interligado em uma teia complexa e não-seqüencial de associações em que o usuário pode navegar por tópicos afins. Por exemplo, em um artigo que contém a palavra ferro, ao percorrer os vínculos correspondentes, o usuário poderia chegar à tabela periódica dos elementos ou a um mapa da migração da metalurgia na Europa durante a Idade do Ferro. O termo hypertext (hipertexto) foi criado por Ted Nelson em 1965 para descrever documentos informatizados que expressam estruturas de idéias não-lineares, em oposição ao formato linear dos filmes, dos livros e da fala. O termo hypermedia (hipermídia), mais recente, é quase sinônimo, mas enfatiza a presença dos componentes não-textuais do hipertexto, como animação, som e vídeo.

HTML – Acrônimo de Hypertext Markup Language. Linguagem de marcação usada para documentos da WWW (World Wide Web). A HTML é uma aplicação da SGML que utiliza tags para marcar elementos, como textos e elementos gráficos, em um documento para indicar como os navegadores da Web deverão apresentá-los ao usuário e responder às ações do usuário, como a ativação de um vínculo através do pressionamento de uma tecla ou de um clique no mouse.

HTTP – Acrônimo de Hyper Text Transfer Protocol. Protocolo cliente/servidor usado para acessar informações na WWW (World Wide Web).

Internet – Conjunto mundial de redes e gateways que utilizam o conjunto de protocolos TCP/IP para se comunicar uns com os outros. No centro da Internet há um backbone de linhas de comunicação de dados de alta velocidade entre nós principais ou computadores host, composto de milhares de sistemas de computadores comerciais, governamentais, educacionais, entre outros, que “roteiam” (veja definição abaixo) dados e mensagens.

IP – Acrônimo de Internet Protocol. Protocolo, do conjunto de protocolos TCP/IP, que controla a divisão das mensagens de dados em pacotes, o roteamento dos pacotes do emissor para a rede ou estação de destino e a remontagem dos pacotes nas mensagens de dados originais no destino.

ISP – Acrônimo de Internet service provider. Empresa que presta serviços de conectividade da Internet a pessoas, empresas e outras organizações. Alguns ISPs são grandes corporações nacionais ou internacionais que concedem acesso em diversos locais, ao passo que outras estão limitadas a uma única cidade ou região. Também chamado de access provider (provedor de acesso); service provider (provedor de serviços).

Java Script – Linguagem de criação de scripts desenvolvida pela Netscape Communications e pela Sun Microsystems, Inc., que é ligeiramente relacionada à linguagem de programação Java. A Java Script, entretanto, não é uma autêntica linguagem orientada a objetos e tem um desempenho limitado em relação à Java, pois não é compilada. É possível incluir funções e aplicações online básicas em páginas da Web com a Java Script, mas o número e a complexidade das funções API disponíveis são menores do que os disponíveis com a Java. O código Java Script, que é incluído em uma página da Web juntamente com o código HTML, é geralmente considerado mais fácil de ser criado que o código Java, especialmente por programadores iniciantes. Para executar um código Java Script, é necessário um navegador da Web compatível com Java Script, como o Netscape Navigator.

Java Applet – Pequena sub-rotina escrita na linguagem de programação Java que é carregada e executada por uma aplicação que já se encontra em execução, como um navegador da Web ou um visualizador de applets. Os applets Java podem ser obtidos por download e executados por qualquer navegador da Web capaz de interpretar a linguagem Java, como o Internet Explorer, Netscape Navigator e o Hot Java. Os applets Java são geralmente usados para acrescentar efeitos de multimídia e interatividade a páginas da Web, como uma música de fundo, exibições de vídeo em tempo real, animações, calculadoras e jogos interativos. Os applets podem ser ativados automaticamente quando um usuário exibe uma página, ou podem exigir alguma ação por parte do usuário, como um clique sobre um ícone da página da Web.

Mailing list, lista de correspondência ou lista de mala direta – Lista de nomes e endereços de correio eletrônico que são agrupados em um único nome. Quando um usuário inclui o nome da lista de correspondência no campo To: (Para:) do cliente de correio, o cliente envia a mensagem à máquina em que a lista de correspondência reside, e essa máquina envia automaticamente a mensagem a todos os endereços da lista (possivelmente permitindo que um moderador a edite antes).

Microprocessador – CPU (acrônimo de Central Processing Unit) alojada em um único chip. Os microprocessadores modernos têm mais de 1 milhão de transistores em um circuito integrado com pouco mais de cinco centímetros quadrados. Os microprocessadores são o coração de todos os computadores pessoais. Quando a memória e a corrente elétrica são acrescentadas a um microprocessador – excluindo-se os periféricos – todos os elementos necessários para a existência de um computador estão presentes. As linhas de microprocessadores mais conhecidas atualmente são a família 680x0 da Motorola, que equipa o Apple Macintosh, e a família 80x86 da Intel, que equipa o IBM PC (e seus compatíveis) e o IBM PS/2.

Newsgroup – Forum da Internet destinado ao encadeamento de debates sobre um conjunto específico de assuntos. Um newsgroup é composto de artigos e publicações de acompanhamento. Um artigo que contém todas as respectivas publicações de acompanhamento – todas as que são (supostamente) relacionadas ao assunto especificado na linha de assunto do artigo original – constitui um encadeamento. Cada newsgroup tem um nome composto de várias palavras, separadas por pontos, que indicam o assunto do newsgroup sob a forma de categorias cada vez mais específicas, como rec.crafts.textiles.needlework. Alguns newsgroups podem ser lidos e publicados em apenas um site. Outros, como os das sete hierarquias da Usenet ou da ClariNet, circulam por toda a Internet

Packet ou pacote (de informação) – 1. No uso geral, significa uma unidade de informação transmitida como um todo de um dispositivo para outro através de uma rede. 2. Nas redes de comutação de pacotes, tem um significado mais preciso: uma unidade de transmissão de tamanho fixo máximo, contendo dígitos binários que representam dados e um cabeçalho que traz um número de identificação, endereços de origem e destino e, às vezes, informações para controle de erros.

Packet switching, comutação de pacotes – Técnica de transmissão de mensagens na qual pequenas unidades de informação (pacotes) são enviadas através das estações da rede pelo melhor percurso disponível no momento entre a origem e o destino. As redes de comutação de pacotes tratam as informações em pequenas unidades, dividindo as mensagens extensas em diversos pacotes antes de encaminhá-las. Embora cada pacote possa percorrer um caminho diferente, e os pacotes que compõem uma mesma mensagem possam chegar defasados ou fora de seqüência, o computador na ponta de recepção reconstrói a mensagem original. As redes de comutação de pacotes são consideradas rápidas e eficientes. Para gerenciar o tráfego e a desmontagem e montagem dos pacotes, elas necessitam de algum tipo de “inteligência” nos computadores e softwares que controlam a transmissão das mensagens.

Router, Roteador – Dispositivo intermediário que acelera a remessa das mensagens em uma rede de comunicação. Em uma rede que interligue vários computadores através de uma malha complexa de conexões, o roteador recebe as mensagens transmitidas e as encaminha para os destinatários corretos selecionando a rota mais eficiente disponível no momento. Em uma série de redes locais interconectadas, usando os mesmos protocolos de comunicação, o roteador tem uma função diferente, servindo como link entre as redes e permitindo o envio de mensagens entre elas.

SGML – Acrônimo de Standard Generalized Markup Language. Um padrão de gerenciamento de informações adotado pela ISO (International Organization for Standardization) em 1986 como um meio de fornecer documentos independentes de plataformas e aplicações que retêm formatação, indexação e informações com vínculos. A SGML fornece um mecanismo de gramática para os usuários definirem a estrutura de seus documentos e as tags que eles usarão para denotar a estrutura em documentos individuais.

TC/IP – Acrônimo de Transmission Control Protocol/Internet Protocol. Trata-se de um protocolo desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos para a comunicação entre computadores. O TCP/IP foi projetado para o sistema UNIX e tornou-se o padrão de fato para transmissão de dados através de redes, incluindo a Internet.

UNIX – Um sistema operacional multiusuário e multitarefa desenvolvido por Ken Thompson e Dennis Ritchie no Bell Laboratories da AT&T em 1969, para ser usado em minicomputadores. O UNIX é considerado um sistema operacional poderoso que, pelo fato de ter sido escrito na linguagem C, é mais portável – menos preso a uma determinada máquina – do que outros sistemas operacionais. As variedades do UNIX são muitas, como o AIX (uma versão do UNIX adaptada pela IBM para estações de trabalho RISC), o A/UX (uma versão gráfica para o Apple Macintosh) e o Mach (um sistema operacional novo porém essencialmente compatível com o UNIX para o computador NeXT).

URL – Acrônimo de Uniform Resource Locator. É o endereço de um recurso na Internet. Os URLs são usados por navegadores da Web para localizar páginas na rede. Um URL especifica o protocolo a ser usado para acessar o recurso (como http: para uma página da World Wide Web, ou ftp: para um site de FTP), o nome do servidor no qual o recurso reside (tal como //www.whitehouse.gov) e, opcionalmente, o caminho para um recurso (por exemplo, um documento HTML ou um arquivo naquele servidor).

Web Site – Um grupo de documentos HTTP relacionados e arquivos associados, scripts e bancos de dados que residem em um servidor HTML na World Wide Web. Em geral, os documentos HTML em um site da Web abordam um ou mais assuntos relacionados e são interligados por meio de hiperlinks. A maioria dos sites da Web tem uma home page como seu ponto inicial, a qual freqüentemente funciona como uma lista do conteúdo do site. Muitas grandes organizações têm um ou mais servidores HTTP dedicados a um único site da Web. Entretanto, um servidor HTTP pode também atender a diversos pequenos sites da Web, como aqueles individuais. Os usuários precisam de um navegador da Web e de uma conexão à Internet para acessar um site da Web.

Recursos da Internet

      Do ponto de vista do ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras, há alguns recursos da Internet mais relevantes que outros. São eles:

1. A World-Wide-Web,
2. O E-mail ou correio eletrônico,
3. O chat ou sala de bate-papo (IRC) e
4. Os newsgroups ou listas de discussão (Usenet).

1. A World-Wide-Web – Muitas vezes confundida com a própria Internet (que abrange muito mais do que a WWW), a World-Wide-Web é um grande sistema de servidores que apoiam entre si documentos especialmente formatados. Como se explicita nas definições abaixo, esses documentos são formatados numa linguagem chamada HTML (Hyper Text Markup Language), que permite conexões para outros documentos assim como para arquivos de gráficos, áudio e vídeo. Abaixo segue uma boa definição da World-Wide-Web para a comunidade não-técnica:

A World-Wide-Web é uma grande teia de informação multimídia em hipertexto. O hipertexto significa que se pode escolher uma palavra destacada numa determinada página e obter assim uma outra página de informação relativa. As páginas podem conter texto, imagens, sons, animações, etc. A World-Wide-Web é uma gigantesca base de dados acessível de uma forma muito atraente e intuitiva.3

Uma definição mais técnica da World-Wide-Web e de como esta funciona nos oferece a Microsoft no seu Dicionário de informática (1998):

Um conjunto totalmente interligado de documentos em hipertexto que residem em servidores HTTP do mundo todo. Os documentos da World Wide Web, denominados páginas ou páginas da Web, são escritos em HTML (Hypertext Markup Language), são identificados por URLs (Uniform Resource Locators) que especificam uma determinada máquina e o nome de caminho pelo qual um arquivo é acessado, e são transmitidos de nó em nó até o usuário final através do protocolo HTTP (Hypertext Transfer Protocol). Os códigos (tags) embutidos em um documento HTML associam determinadas palavras e imagens do documento a URLs, permitindo que o usuário acesse outros arquivos. Com isso, o usuário pode passear pelo mundo através do pressionamento de uma tecla ou do clique em um botão do mouse. Esses arquivos podem conter texto (em uma variedade de fontes e estilos), imagens gráficas, arquivos de filme e som, como também applets Java, controles ActiveX, ou outros pequenos programas aplicativos embutidos que são executados com um clique em um vínculo (link). Um usuário em visita a uma página da Web também pode transferir arquivos de um site de FTP e enviar mensagens para outros usuários via correio eletrônico usando os vínculos de páginas da Web. A World Wide Web foi desenvolvida por Timothy Berners-Lee em 1989 para o CERN (European Laboratory for Particle Physics).4

2. O E-Mail ou Correio Eletrônico – O correio eletrônico é o recurso mais antigo e possivelmente o mais utilizado da Internet. Foi o motivo inicial que deu ímpeto ao estabelecimento da ARPAnet. O recurso dessa rede que os militares norte-americanos mais precisavam era o contato rápido e constante, através de mensagens que levariam apenas alguns segundos para chegar ao destinatário. Essa velocidade era de vital importância no ambiente de guerra fria em que viviam os Estados Unidos e a antiga União Soviética, especialmente caso houvesse uma conflagração da temida guerra nuclear.

      O correio eletrônico permite a comunicação praticamente em tempo real entre duas pessoas. O único requesito que se faz das duas é que tenham acesso a um ISP (Internet service provider, provedor de serviço da Internet), em qualquer parte do globo. Uma vez comunicando-se através do correio eletrônico, as mensagens entre os dois correspondentes são transmitidas praticamente à velocidade da luz e não precisam de uma linha telefônica “dedicada” (i.e., linha voltada para a execução de uma única tarefa) disponível para chegar ao seu destino. Além de texto, o usuário pode enviar qualquer tipo de arquivo através do correio eletrônico, tais como programas, gráficos, áudio ou vídeo.

3. O Chat ou Sala de Bate-Papo (IRC) – Ao contrário do corrreio eletrônico, o IRC (Internet Relay Chat, Transmissão de Conversa pela Internet) permite que um usuário participe de um conversa online através de textos em tempo real com outros usuários. O IRC funciona da seguinte maneira:

Um canal [ou sala de bate-papo], mantido por um servidor IRC, transmite o texto digitado por cada usuário que [entra na sala] a todos os outros usuários que [já estão conversando]. Em geral, um canal é dedicado a um tópico específico, que pode ser indicado pelo [seu] nome. Um cliente IRC mostra os nomes dos canais ativos no momento, permite que o usuário entre em um [deles] e, em seguida, apresenta a fala dos outros participantes em linhas separadas para que o usuário possa responder. O IRC foi inventado em 1988 por Jarkko Oikarinen da Finlândia.5

4. Os Newsgroups ou Listas/Grupos de Discussão (Usenet) – A Usenet começou como um ramo independente da Internet, antes mesmo que esta fosse oficialmente estabelecida. Era conhecida carinhosamente nos seus primeiros anos, principalmente entre os muitos estudantes que a usavam, como a “ARPAnet do homem pobre” (“The poor man's ARPAnet”), já que não dispunham de tantos recursos financeiros como os militares norte-americanos. Até hoje é vista pelas grandes companhias que financiam muitos setores da Internet como o “patinho feio” da rede, já que geralmente se dedica a discussões de cunho intelectual, técnico ou pessoal, nas quais a possibilidade de se transmitir mensagens comerciais é quase inexistente.

      Juntamente com outras redes independentes como a BITNET, a UUCP e a NSFnet, a Usenet acabou se conectando à ARPAnet para formar o que hoje conhecemos como a Internet. A Usenet conta atualmente com mais de trinta mil grupos de discussão (outubro de 2000), que vai desde newsgroups interessados em assuntos convencionais até grupos de extrema vanguarda. A Usenet e o seu modus operandi podem ser descritos como:

Uma rede mundial de sistemas UNIX, com administração descentralizada, usada para correio eletrônico por grupos de discussão com interesses especiais. A Usenet, que é considerada parte da Internet (embora a Usenet seja anterior a ela), é composta por milhares de newsgroups, cada um dedicado a um tópico específico. Os usuários podem enviar e ler mensagens de outros usuários nesses newsgroups de maneira similar aos usuários em conexões de discagem BBS. Originalmente, a Usenet foi implantada com o software UUCP (UNIX-to-UNIX Copy) e conexões telefônicas; esse método de comunicação continua sendo importante, embora outros mais modernos, tais como NNTP e conexões de redes, sejam mais comumente usados.6

Uso dos Recursos da Internet no Ensino de Línguas Estrangeiras

1. A World-Wide-Web – Esta é possivelmente a dimensão da Internet mais rica em “informação estática” para alunos de línguas estrangeiras. Chamo atenção para o termo “estático” pois a grande maioria das informações que encontramos na WWW não possuem um componente interativo, como é o caso do correio eletrônico, do bate-papo ou das listas de discussão (Usenet). Mesmo assim, é sem dúvida o banco de dados mais completo e variado do mundo, contando com o acréscimo de centenas de novos web sites todos os dias. Aqui pode-se encontrar dicionários, glossários, etimologias, gramáticas, manuais de filologia, exercícios, fórums de alunos e professores e uma infinidade de outras informações sobre vários aspectos das línguas estrangeiras.

      Para os professores que decidirem estabelecer um web site pedagógico com o intuito de disponibilizar informação para os seus alunos, é importante saber que essa disseminação será feita através da WWW já que o web site será hospedado num servidor conectado à Web. Portanto, é imprescindível manter-se atualizado sobre o que está disponível na WWW, tanto em termos de web sites como de recursos técnicos.

      Não resta dúvida que a possibilidade de produzir material didático que lide direta e especificamente com as necessidades acadêmicas dos nossos alunos representa uma ferramenta de muita utilidade para nós, professores de línguas. O único incoveniente é que atualmente a grande maioria dos web sites de línguas não são interativos, demonstrando que são poucos os professors que sabem lidar com os recursos mais avançados e úteis da Internet. Porém, há uma solução para esse problema. Nos últimos anos apareceram novas linguagens para a Internet como CGI e Java que permitem ao professor acrescentar ao seu web site pedagógico exatamente essa dimensão interativa que faltava. Com um pouco de treinamento em HTML e Java ou CGI, o professor pode incluir no seu web site material completamente interativo, como os exercícios que atualmente tenho no meu web site profissional:

http://www.sedycias.com/spanish01.htm

      O endereço acima contém exercícios interativos elaborados na linguagem Java Script com a ajuda de um programa chamado Suite Hot Potatoes produzido pelo Centro de Línguas da Universidade de Victoria, Canadá.

2. O E-Mail ou Correio Eletrônico – O correio eletrônico é talvez a ferramenta mais interativa que existe na Internet. Permite uma comunicação face-a-face entre duas pessoas (ou mais, se o autor decidir enviar uma cópia de sua mensagem para mais pessoas) e é o ambiente ideal para os alunos de línguas estrangeiras praticarem e desenvolverem suas habilidades lingüísticas. O correio eletrônico pode ser direcionado para grupos de usuários em diferentes níveis geográficos: local (entre alunos da mesma turma ou escola), nacional ou internacional. Se o professor contar com a infra-estrutura adequada e tiver a devida disposição e tempo livre, ele ou ela poderá estabelecer um centro de e-mail para alunos de língua estrangeira através do qual estes poderão fazer contato e manter correspondência com falantes nativos da língua-alvo. Os alunos terão a oportunidade de empregar de forma imediata e transparente a língua estrangeira que estiverem estudando, usando-a num contexto comunicativo real para falar tanto de aspectos pessoais como sobre assuntos de cunho acadêmico. Esses textos podem ser por sua vez comentados pelo professor ou mesmo por outros alunos, num seminário tipo “Delphi.”7

      De posse de uma conta de correio eletrônico individual, os alunos poderão também fazer assinaturas de mailing lists (listas de correspondência ou de mala direta) e receber regularmente informação sobre o assunto da lista. Essas mailing lists são diferentes dos newsgroups ou discussion groups da Usenet (listas ou grupos de discussão) pois a lista de mala direta só está disponível para quem tiver obtido uma assinatura da mesma enquanto que os newsgroups são documentos públicos que podem ser vistos por qualquer pessoa que os acesse. As mailing lists funcionam basicamente da seguinte forma:

Ao fazerem uma assinatura à mailing list de sua escolha, os alunos poderão fazer perguntas e obter informação sobre assuntos específicos, como é o caso do estudo de uma língua. Talvez o aspecto mais importante do correio eletrônico na Internet seja a superabundância de mailing lists de discussão disponíveis, que praticamente cobrem os interesses de todos. Uma mailing list é gerada por um programa de computador que recebe todas as missivas e as distribui por todos os subscritores da lista. Quase todas as mailing lists oferecem inscrições gratuitas para qualquer pessoa com um endereço de correio eletrônico.8

3. O Chat ou Sala de Bate-Papo (IRC) – Juntamente com o correio eletrônico, o IRC (Internet Relay Chat) é uma ferramenta interativa útil e ágil pois dá ao aluno a oportunidade de conversar de forma sincrônica (i.e., em tempo real) com falantes da língua-alvo em qualquer parte do mundo. É um ambiente ideal para os alunos de línguas estrangeiras praticarem e desenvolverem suas habilidades lingüísticas. Como o correio eletrônico, o IRC pode ser direcionado para grupos de usuários em diferentes níveis geográficos: local (entre alunos da mesma turma ou escola), nacional ou internacional. Espera-se que os alunos usem as salas de bate-papo num contexto comunicativo real para falar tanto de aspectos pessoais de interesse deles como sobre assuntos de cunho acadêmico.

      Devido ao fato de a comunicação no IRC ser feita através de textos escritos, esse recurso geralmente é de pouco uso para a melhora da pronúncia. Porém, por outro lado, podemos argumentar que a conversa informal em tempo real do tipo que existe no IRC pode ajudar muito no desenvolvimento e solidificação de outras competências comunicativas. Refiro-me especificamente à capacidade de pensar e reagir com rapidez numa língua estrangeira, habilidades cruciais para uma comunicação eficaz.9

      Existe uma variante do IRC conhecida como MOO (software de realidade virtual baseado em texto), que na minha opinião é menos útil do que a sala de bate-papo, já que requer uma dimensão lúdico-criativa bastante desenvolvida e um nível quase nativo de comando da língua estrangeira. Esse ambiente virtual é muito popular nos Estados Unidos, mas até agora não tem gozado da mesma aceitação em outras partes do mundo. Independente do formato do ambiente de IRC que se use, há benefícios óbvios para quem quer que use esse recurso da Internet:

O principal benefício de usar a Internet para aprender ou para se comunicar de forma síncrona é o fato de permitir a interação [em tempo real] de pessoas que estejam em... locais [diferentes]. Os estudantes de EFL, por exemplo, muitas vezes não têm oportunidade de interagir com falantes nativos de inglês ou pessoas que falem uma outra primeira língua [diferente do português]. A solução é viajar para o [exterior] para poderem experimentar a comunicação autêntica, o que se torna dispendioso e limitado pela disponibilidade de tempo. [Pode-se resolver esse problema] com a comunicação em tempo real via Internet. Também se tem observado que estudantes de EFL mostram mais autonomia e maior iniciativa quando se comunicam nesse ambiente.... A razão pode ser a ausência de marcas de contexto social, como... idade, raça ou sexo. Por outro lado, a velocidade dessas interações escritas síncronas é um pouco mais lenta do que uma conversa face-a-face e isso dá aos participantes mais tempo para [organizarem e] exprimirem as suas idéias.... Sistemas como esses estão mais avançados do que o correio eletrônico, visto permitirem comunicação... em tempo real. Os alunos podem receber aulas tutoriais, [assistir] palestras e praticar a [língua] com outros em inglês. Uma vantagem óbvia deste tipo de ambiente é que os estudantes tímidos participam mais ativamente, porque ninguém os pode ver ou ouvir o seu sotaque.10

4. Os Newsgroups ou Listas/Grupos de Discussão (Usenet) – Para os alunos que tenham interesses especiais, as listas ou grupos de discussão representam uma excelente fonte de informação e ambiente de prática na língua estrangeira. A maioria dos grupos de discussão tem uma temática específica e geralmente lida com assuntos de interesses de pessoas adultas: sociedade, política, história, economia, etc. Isso faz com que muitos desses grupos de discussão não sejam do interesse de estudantes mais jovens. Porém, devido ao fato de existir na Usenet uma infinidade de tópicos, interesses e orientações pessoais, é possível encontrar algo para qualquer aluno de língua estrangeira, mesmo os mais jovens ou os menos convencionais.

      O objetivo é fazer com que o aluno visite regularmente uma lista de discussão do seu interesse e que participe nela ativamente. Com essa participação, o estudante de língua estrangeira terá a oportunidade de praticar várias competências comunicativas, tanto passivas como ativas, através da Usenet, lendo as mensagens colocadas no newsgroup e respondendo às comunicações de outros usuários. No caso dos newgroups internacionais, o aluno também se beneficiará por estar se comunicando com pessoas, tanto falantes nativos da língua como estudantes como ele, de vários países, obtendo dessa forma uma visão mais ampla do idioma.

      Talvez a característica mais marcante dos grupos de discussão da Usenet é o fato de eles reunirem pessoas de formação muito diversa. Um newsgroup de língua estrangeira, por exemplo, tipicamente reunirá desde estudantes iniciantes do idioma até professores universitários, jornalistas, escritores e outros profissionais que compartilham o mesmo interesse pelo assunto. Com relação aos newsgroups cuja temática é uma cultura estrangeira específica, não devemos esquecer que eles representam um importante recurso no ensino de línguas:

Os grupos Usenet voltados para diferentes culturas podem também ser uma ferramenta preciosa, visto que muitos alunos são bilingües. Isto significa que existe correio em inglês e numa outra língua, permitindo aos estudantes lerem as discussões nas duas línguas. [Já que] existem newsgroups para praticamente todos os gostos, existem [também] mais possibilidades de prática da língua. Os estudantes de ESL podem subscrever um newsgroup na sua área de interesse particular e praticar a língua com os assuntos que mais lhes interessam. Esta será uma vantagem para os alunos que se [entediam] com textos que [utlilizam] padrões e modelos de frases seguindo regras rígidas. Um aluno que gosta de cães pode ler re.pets.dogs, enquanto um interessado em matemática pode ler sci.math. Além do aspecto da língua em si, a maioria dos professores tenta incluir estudos culturais e sociais na sala de aula. Cada vez mais os livros de texto se concentram na obtenção de proficiência na língua em discussões e situações da vida real. Os grupos Usenet oferecem a oportunidade fantástica de usar as capacidades recentemente adquiridas em conversas reais. A discussão na rede de assuntos atuais na língua em estudo pode melhorar o conteúdo cultural de qualquer curso.11

Minha Experiência na Universidade de Brasília

      Nos últimos dois anos tive a oportunidade de fazer amplo uso da Internet como um importante componente das minhas aulas de espanhol e inglês como línguas estrangeiras na Universidade de Brasília. Projetei, escrevi o código-fonte em HTML e produzi todos os gráficos para o web site pessoal-profissional que se encontra no seguinte endereço:

http://www.sedycias.com/

      A Internet tem demonstrado ser um excelente fórum e auxílio didático para mim e meus alunos nas nossas discussões de como elaborar novas maneiras para melhor compreender e dominar certos aspectos problemáticos das línguas espanhola e inglesa com relação ao idioma português. O modus operandi que eu emprego nas aulas de língua estrangeira que fazem uso extensivo da Internet é relativamente simples: a partir de sugestões feitas pelos meus alunos ou a partir da minha percepção de alguma dificuldade que eles possam estar tendo com a língua-alvo, eu coloco informação no meu web site lidando com esse problema. O material colocado no ar é lido e analisado pelos alunos em casa, discutido e exercitado em classe num contexto comunicativo e, do retorno que eu recebo deles, eu faço as mudanças ou adições necessárias. Os alunos voltam a analisar e exercitar o mesmo material e seguimos adiante a partir desse ponto, percorrendo as mesmos passos básicos descritos acima, até atingirmos domínio comunicativo da estrutura sob estudo.

      O meu uso da Internet em cursos de língua estrangeira é feito com dois objetivos em mente: 1) lidar direta e especificamente com as necessidades acadêmicas dos meus alunos; e 2) dar-lhes um sentido de auto-determinação e a possibilidade de eles participarem no próprio processo de ensino-aprendizagem, no qual eles passam a desempenhar um papel mais ativo. Usando esse modelo, eu posso atender as necessidades dos meus alunos de maneira interativa, rigorosamente pesquisada e que remete diretamente às suas expectativas e aspirações acadêmicas. Em vez de receber quase toda sua informação de um livro texto que provavelmente não foi escrito com eles em mente, os meus alunos agora têm à sua disposição informação formal sobre a língua-alvo que de fato reflete os seus próprios insumos, necessidades e aspirações.

      A melhora em termos de disposição na sala de aula por parte dos alunos tem sido significativa e aparente. Isso acontece, creio eu, porque esses estudantes podem ver algo deles mesmos no que está sendo apresentado na aula. De repente o projeto do curso não é algo elaborado apenas pelo professor ou pelo autor do livro texto, mas passa a ser construido pelos próprios alunos também. Os alunos invariavelmente se orgulham desse projeto de grupo e na maioria das vezes atingem um nível de desempenho bastante alto, geralmente bem melhor do que se um modelo mais passivo, menos interativo e menos envolvente fosse usado.

 
N o t a s

 
      1 KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1989.

      2 Dicionário de informática, terceira edição. Editora Campus/Microsoft Press, 1998.

      3 FERREIRA, Antônio Miguel Caetano. “World-Wide-Web.” Dicionário do Internetês, segunda edição. 10 de setembro de 2000 [http://homepage.esoterica.pt/~amcf/internetes.html].

      4 “World-Wide-Web.” Dicionário de informática, terceira edição. Editora Campus/Microsoft Press, 1998.

      5 “IRC.” Dicionário de informática, terceira edição. Editora Campus/Microsoft Press, 1998.

      6 “Usenet.” Dicionário de informática, terceira edição. Editora Campus/Microsoft Press, 1998.

      7 Sistema de feedback no campo das línguas desenvolvido pelo Departamento de Inglês da Universidade Estadual de Nova Yorke em Buffalo, Estados Unidos. Num seminário do tipo “Delphi” não somente o professor tem a oportunidade de ler e analisar as composições dos seus alunos mas também os próprios alunos lêem e analisam os trabalhos dos seus colegas. Dessa forma, cada estudante tem a oportunidade de receber vários tipos de feedback, de leitores com experiências de vida e perspectivas bastante diferentes.

      8 SOARES, Rosa Maria. “A Internet no ensino-aprendizagem de inglês como língua estrangeira/segunda língua.” Monografia para a classe “Ensino à Distância” do Prof. Dr. Altamiro Machado, Programa de Mestrado em Educação, Universidade do Minho, Portugal. 10 de setembro de 2000
[http://www.dei.isep.ipp.pt/~rosoares/rosa_um.htm].

      9 Na sua pesquisa envolvendo a aplicação da Internet em cursos de língua estrangeira (EFL), Rosa Maria Soares, da Universidade do Minho, Portugal, teve uma experiência muito parecida à minha com respeito ao uso do IRC por alunos de L2, tendo obtido resultados que respaldam e convalidam os meus. Se estabeleceu nessa pesquisa que o IRC, mesmo sem poder ajudar muito na melhora da pronúncia dos alunos, provou ser uma ferramenta de muita utilidade no desenvolvimento e solidificação de outras competências comunicativas. SOARES, Rosa Maria. “A Internet no ensino-aprendizagem de inglês.”

      10 SOARES, Rosa Maria. “A Internet no ensino-aprendizagem de inglês.”

      11 SOARES, Rosa Maria. “A Internet no ensino-aprendizagem de inglês.”

 

BIBLIOGRAFIA

 
AGUIRRE ROMERO, J. Mª. "Las posibilidades de la edición electrónica en línea en el ámbito universitario: El caso de Espéculo." Em J. Romera Castillo (ed.), Literatura y multimedia. Madrid: Visor-UNED, 1997, pp. 181-194.

ARENAZA, Diego. "El uso de recursos informatizados para la enseãnza de lenguas: Relato de una experiencia en la Universidad Federal de Santa Catarina. 22 de novembro de 2000 [http://www.ced.ufsc.br/~uriel/pubdiego.html].

ARENSTEIN, Rachel. "The Internet as a Tool for Teaching English as a Foreign Language." 22 de novembro de 2000 [http://www.teflfarm.com/teachers/articles/0/internet.htm].

BAÑÓN HERNÁNDEZ, A. M. "Hipertexto e Internet: Notas sobre su aprovechamiento en los estudios lingüísticos." Em Díez de Revenga e Jiménez Cano (eds.), Estudios de sociolingüística II: Sincronía y diacronía. Murcia: DM, 1999, pp. 61-90.

BATES, A. Technology, Open Learning and Distance Education. London: Routledge, 1995.

BERGE, Z. e COLLINS, M. Computer-Mediated Communication and the Online Classroom. Cresskill, New Jersey: Hampton Press, 1995.

BLACKIE, D. "The Internet – What's in it for an ESFLer?" IATEFL Newsletter, 11, 1995.

CASANOVA, L. Internet para profesores de español. Madrid: Edelsa, 1998.

CASTRO, Elizabeth. HTML para a World-Wide-Web. São Paulo: Makron Books, 2000.

CHARLAB, Sérgio. Você e a Internet no Brasil: O guia para navegar no ciberespaço. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996.

COTTON, Eileen Giuffré. The Online Classroom: Teaching with the Internet. Bloomington, Indiana: Edinfo Press, 1997.

DAMSKI, José Carlos B. Internet: Guia do usuário brasileiro. São Paulo: Makron Books Brasil, 1995.

DORIA, Pedro. Manual para a Internet: Uma visão brasileira. Rio de Janeiro: Revan, 1995.

EARP, Samantha. More than just the Internet: Technology for Language Teaching. Washington, DC: ERIC Clearinghouse on Languages and Linguistics, Center for Applied Linguistics, 1997.

FIDELMAN, C. G. "A Language Professional's Guide to the World-Wide-Web." CALICO Journal, 13 (2 e 3), 1996.

GOMES, M. R. "Animação, multimédia, realidade virtual, sistemas de informação geográfica: Tecnologias ao serviço do homem?" Em Tendências, 1. Lisboa: APDC, 1996.

GOODMAN, Danny. Dynamic HTML: The Definitive Reference. Sebastopol, California: O'Reilly & Associates, 1998.

KERN, R. Literacy and Language Teaching. Oxford, UK: Oxford University Press, 2000.

LEE, Lina. "Using the Internet to Enhance Foreign Language Teaching and Learning." 22 de novembro de 2000 [http://www.unh.edu/spanish/lina/internet1.html].

LELOUP, J. W. "But I only have E-mail – What can I do?" Learning Languages, 2, 1997, pp. 10-15.

LELOUP, Jean W. e PONTERIO, Robert. Internet Technologies for Authentic Language Learning Experiences. Washington, DC: ERIC Clearinghouse on Languages and Linguistics, Center for Applied Linguistics, 1997.

LOPES, A. M. e MACHADO, A. B. "Que papel para a telemática na educação?" Em Informática e Educação, 6, 1995.

MARCOS, Kathleen. Internet for Language Teachers. Washington, DC: ERIC Clearinghouse on Languages and Linguistics, Center for Applied Linguistics, 1994.

MARTINELL GIFRE, E. e CRUZ PIÑOL, M. "La Internet y la enseñanza del español." Em Carabela, 38, 1996.

MARTINELL GIFRE, E. e CRUZ PIÑOL, M. "Las nuevas tecnologías y la enseñanza del español como lengua extranjera." Em Cuestiones del español como lengua extranjera. Barcelona: Edicions de la Universitat de Barcelona, colección "Textos Docents," 123, 1998, pp. 136-143.

MEYERS, Paul. The HTML Web Classroom. Upper Saddle River, New Jersey: Prentice Hall, 1999.

MELONI, Christine Meloni. "The Internet in the Classroom: A Valuable Tool and Resource for ESL/EFL Teachers." 22 de novembro de 2000 [http://www.eslmag.com/Article.htm].

MORÁN, José Manuel. "Como utilizar a Internet na educação." 22 de novembro de 2000 [http://www.eca.usp.br/prof/moran/internet.htm].

MORÁN, José Manuel. "Desafios da Internet para o professor." 22 de novembro de 2000 [http://www.eca.usp.br/prof/moran/desafio.htm].

MORÁN, José Manuel. "Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias." 22 de novembro de 2000 [http://www.eca.usp.br/prof/moran/inov.htm].

MULLEN, Robert. HTML 4 Guia de referência do programador para todas as plataformas. São Paulo: Editora Ciência Moderna, 1998.

MURRAY, William et al. Javascript and HTML 4.0 User's Resource. Upper Saddle River, New Jersey: Prentice Hall, 1999.

MYHILL, Marion, LE Thao, and LE Quynh. "Development of Internet TESOL Courseware." 22 de novembro de 2000 [http://www.clet.ait.ac.th/hanoi_proceedings/larsen-freeman.htm].

PORTER, Lynnette R. Creating the Virtual Classroom: Distance Learning with the Internet. New York: J. Wiley & Sons, 1997.

RAMALHO, José Antônio Alves. HTML 4: Teoria e prática (Série Ramalho). São Paulo: Berkeley Brasil, 2000.

ROBYLER, M. D. Integrating the Internet into your Classroom. Upper Saddle River, New Jersey: Merrill, 1997.

RUIPÉREZ, G. Introducción a la enseñanza de lenguas asistida por ordenador. Madrid: UNED, 1990.

SITMAN, R. "Algunas reflexiones sobre el uso y abuso de la Internet en la enseñanza del E/LE." En Boletín de la Asociación para la Enseñanza del Español como Lengua Extranjera (ASELE), 18, 1998, pp. 7-20.

SOARES, Rosa Maria. "A Internet no ensino-aprendizagem de inglês como língua estrangeira/segunda língua." 22 de novembro de 2000 [http://www.dei.isep.ipp.pt/~rosoares/rosa_um.htm].

SOLER, J. "Internet: El español y los cimientos de un cambio global." Boletín Red Iris, 59, 1997.

SPERLING, Dave. The Internet Guide for English Language Teachers. Upper Saddle River, New Jersey: Prentice Hall Regents, 1997.

URIEL: Uso de Recursos Informatizados para o Ensino de Línguas. Núcleo de Pesquisa Interdisciplinar da Universidade Federal de Santa Catarina. 22 de novembro de 2000 [http://www.ced.ufsc.br/~uriel/index.html].

VENETIANER, Tomás. HTML: Desmistificando a linguagem da Internet. São Paulo: Makron Books Brasil, 1996.

WEININGER, Markus J. "Exemplos do uso criativo de recursos informatizados para o ensino de línguas." 22 de novembro de 2000 [http://www.cce.ufsc.br:80/lle/alemao/markus/exemplos.html].

WEININGER, Markus J. "O uso da Internet para fins educativos." 22 de novembro de 2000 [http://www.cce.ufsc.br:80/lle/alemao/markus/internet.html].

WEININGER, Markus J. "Estudo autônomo com a ajuda de novas tecnologias no ensino comunicativo de línguas estrangeiras." 22 de novembro de 2000 [http://www.cce.ufsc.br:80/lle/alemao/markus/est-aut.html].



Return to top of page Return to main page