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Universidade Federal de Pernambuco Depto. de Letras, Programa de Espanhol Disciplina: História da Língua Espanhola |
Centro de Artes e Comunicação Professor: Dr. João Sedycias Código da Disciplina: ______ |
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Procedência: Encyclopaedia Britannica do Brasil (Barsa)
Os fenícios
Os fenícios assimilaram as culturas do Egito e da Mesopotâmia e as estenderam por todo o Mediterrâneo, do Oriente Médio até as costas orientais da península ibérica. O maior legado que deixaram foi um alfabeto do qual derivam os caracteres gregos e latinos.
Chamou-se Fenícia à antiga região que se estendia pelo território do que mais tarde seria o Líbano e por parte da Síria e da Palestina, habitada por um povo de artesãos, navegadores e comerciantes. Biblo (futura Jubayl), Sídon (Saída), Tiro (Sur), Bérito (Beirute) e Árado foram as suas cidades principais. O nome Fenícia deriva do grego Phoiníke ("país da púrpura" ou, segundo alguns, "terra das palmeiras"). Na Bíblia, parte da região recebe o nome de Canaã, derivado da palavra semita kena'ani, "mercador".
História. Os fenícios chegaram às costas libanesas por volta de 3000 a.C. Sua origem é obscura, mas sabe-se que eram semitas, procedentes provavelmente do golfo Pérsico. No começo, estiveram divididos em pequenos estados locais, dominados às vezes pelos impérios da Mesopotâmia e do Egito. Apesar de submetidos, os fenícios conseguiram desenvolver uma florescente atividade econômica que lhes permitiu, com o passar do tempo, transformar-se numa das potências comerciais hegemônicas do mundo banhado pelo Mediterrâneo.
A dependência dos primeiros fenícios em relação ao poderio egípcio iniciou-se com a IV dinastia (2613-2494, aproximadamente), e é notada pela grande quantidade de objetos de influência egípcia encontrados nas escavações arqueológicas. No século XIV a.C., a civilização grega de Micenas fez seu aparecimento na Fenícia, com o estabelecimento de comerciantes em Tiro, Sídon, Biblo e Árado. As invasões dos chamados povos do mar significaram uma grande mudança para o mundo mediterrâneo: os filisteus se instalaram na Fenícia, enquanto Egito e Creta começavam a decair como potências. Dessa forma, a Fenícia estava preparada no século XIII a.C. para iniciar a sua expansão marítima.
A cidade de Tiro assumiu o papel hegemônico na região. Em pouco tempo, seus habitantes controlaram todas as rotas comerciais do interior, comercializando principalmente madeira de cedro, azeite e perfumes. Quando dominaram o comércio na área, iniciaram a expansão pelo Mediterrâneo, onde fundaram muitas colônias e feitorias.
Os fenícios escalaram primeiro em Chipre, ilha com a qual há muito mantinham contato, e no século X a.C. se estabeleceram em Cício ou Kítion (Larnaca). A faixa costeira da Anatólia também conheceu a presença fenícia, embora lá não se tenham estabelecido colônias permanentes. No sul da Palestina, sob domínio judeu desde o fim do século XI a.C., assentaram-se colônias comerciais estáveis, assim como no Egito, sobretudo no delta do Nilo.
O Mediterrâneo ocidental foi, no entanto, a região de maior atração para os fenícios, que mantiveram relações econômicas com Creta, mas a presença dos gregos os induziu a dirigirem-se mais a oeste, chegando à Sicília, onde fundaram Mócia (Mótya), Panormo (Panormum) e Solos (Sóloi). No norte da África, os fenícios tinham-se estabelecido em Útica no século XII a.C. e fundaram outros núcleos no século IX a.C., entre os quais Cartago. Na península ibérica, Gades (Cádiz), fundada no século XII a.C., foi o porto principal dos fenícios, que ali adquiriam minerais e outros produtos do interior. Na ilha de Malta, a Fenícia impôs seu controle no século VIII a.C., e a partir de Cartago fez o mesmo em relação a Ibiza no século VI a.C.
O esplendor econômico e cultural da Fenícia viu-se ameaçado a partir do século IX a.C., quando a Assíria, que precisava de uma saída para o mar a fim de fortalecer sua posição política no Oriente Médio, começou a introduzir-se na região. O rei assírio Assurbanipal estendeu sua influência a Tiro, Sídon e Biblo, cidades às quais impôs pesados tributos. A dominação assíria obrigou as cidades fenícias a firmarem uma aliança: em meados do século VIII a.C., Tiro e Sídon se uniram para enfrentar os assírios, aos quais opuseram tenaz resistência; mas, apesar desses esforços de independência, a Assíria manteve sua hegemonia. Os egípcios, também submetidos à influência assíria, estabeleceram um pacto defensivo com Tiro no início do século VII a.C., mas foram vencidos.
No fim desse século, Nabucodonosor II impôs a hegemonia da Babilônia no Oriente Médio. O rei babilônico conquistou a região da Palestina e, depois de longo assédio, submeteu Tiro em 573 a.C. A Pérsia substituiu a Babilônia em 539 a.C. como poder hegemônico. A partir de então, Sídon passou a ter supremacia sobre as outras cidades fenícias e colaborou com o império persa contra os gregos, seus principais inimigos na disputa do controle comercial do Mediterrâneo. Os persas incluíram a Fenícia em sua quinta satrapia (província), junto com a Palestina e Chipre. Sídon procurou então uma aproximação com os gregos, cuja influência cultural se acentuou na Fenícia.
No século IV, o macedônio Alexandre o Grande irrompeu na Fenícia; mais uma vez, Tiro foi a cidade que apresentou a resistência mais forte, mas, esgotada por anos de lutas contínuas, caiu em poder de Alexandre em 322 a.C. Depois da derrota, toda a Fenícia foi tomada pelos gregos. Finalmente, Roma incorporou a região a seus domínios, como parte da província da Síria, em 64 a.C.
Economia. A Fenícia foi um dos países mais prósperos da antiguidade. Suas cidades desenvolveram uma florescente indústria, que abastecia os mais distantes mercados. Objetos de madeira talhada (cedro e pinho) e tecidos de lã, algodão e linho tingidos com a famosa púrpura de Tiro, extraída de um molusco, foram as manufaturas fenícias de maior prestígio e difusão. Também eram muito procurados os objetos de metal; o cobre, obtido em Chipre, o ouro, a prata e o bronze foram os mais utilizados, em objetos suntuários e em jóias de fino valor. Os trabalhos em marfim alcançaram grande perfeição técnica na forma de pentes, estojos e estatuetas. Os fenícios descobriram ainda a técnica de fabricação do vidro e aperfeiçoaram-na para confeccionar belos objetos.
O comércio se fez principalmente pelo mar, já que o transporte terrestre de grandes carregamentos era dificílimo. Essa exigência contribuiu para desenvolver a habilidade dos fenícios como construtores navais e os transformou em hábeis navegadores.
Sociedade e política. Para a construção de suas cidades e feitorias, os fenícios escolhiam zonas estratégicas do ponto de vista comercial e da navegação. Erguiam-nas sempre em portos protegidos, amplas baías que permitiam aos barcos atracar com facilidade e penínsulas abrigadas. As cidades eram geralmente protegidas com muralhas, e os edifícios chegavam a uma altura considerável.
A classe dos comerciantes ricos exercia o domínio político em cada cidade, governada por um rei. A diversidade arquitetônica das casas fenícias que foi possível conhecer revela a existência de uma marcada diferenciação social entre a oligarquia de mercadores e o conjunto dos trabalhadores artesanais e agrícolas.
Religião. A religião dos fenícios era semelhante à de outros povos do Oriente Médio, embora também apresentasse características e influências de religiões e crenças de outras áreas como o mar Egeu, o Egito e mais tarde a Grécia, em conseqüência dos contatos comerciais.
A religiosidade se baseava no culto às forças naturais divinizadas. A divindade principal era El, adorado junto com sua companheira e mãe, Asherat ou Elat, deusa do mar. Desses dois descendiam outros, como Baal, deus das montanhas e da chuva, e Astarte ou Astar, deusa da fertilidade, chamada Tanit nas colônias do Mediterrâneo ocidental, como Cartago. As cidades fenícias tinham ainda divindades particulares; Melqart foi o deus de Tiro, de onde seu culto, com a expansão marítima, passou ao Ocidente, concretamente a Cartago e Gades.
Entre os rituais fenícios mais praticados tiveram papel essencial os sacrifícios de animais, mas também os humanos, principalmente crianças. Em geral os templos, normalmente divididos em três espaços, eram edificados em áreas abertas dentro das cidades. Havia ainda pequenas capelas, altares ao ar livre e santuários com estelas decoradas em relevo. Os sacerdotes e sacerdotisas freqüentemente herdavam da família o ofício sagrado. Os próprios monarcas fenícios, homens ou mulheres, exerciam o sacerdócio, para o que se requeria um estudo profundo da tradição.
Cultura e arte. A civilização ocidental deve aos fenícios a difusão do alfabeto, cuja origem é incerta. Povo pragmático por natureza, os fenícios parecem haver adotado e simplificado formas de escrita mais complexas, talvez de procedência egípcia, para criar um alfabeto consonântico de 22 letras, que se escreviam da direita para a esquerda. Os gregos foram os primeiros a receber essa importante herança fenícia, que remonta ao século XIV a.C.; a exemplo dos latinos e outros povos da antiguidade, transformaram esse alfabeto e lhe incorporaram as vogais.
A arte fenícia constituiu um sincretismo de elementos egípcios, egeus, micênicos, mesopotâmicos, gregos e de outros povos, e tinha um caráter essencialmente utilitário e comercial. A difusão dos objetos fenícios pelo Mediterrâneo contribuiu para estender as influências orientalizantes à arte dos gregos, dos etruscos, dos iberos e outros. A peça mais destacada da escultura fenícia é o sarcófago de Ahiram, encontrado em Biblo, cuja decoração apresenta motivos talhados em relevo.
Os cartagineses
Os poeni, nome dado pelos romanos aos povos que habitavam a região onde hoje fica a Tunísia, deram origem à civilização púnica que, centralizada na cidade de Cartago, alcançaria grande desenvolvimento comercial no norte da África, no sul da península ibérica e nas ilhas mediterrâneas de Ibiza, Córsega, Sardenha e Sicília.
A expressão fenícia Qart Hadasht, "cidade nova", gerou, ao latinizar-se, a denominação de Cartago, colônia fundada por comerciantes fenícios, no século IX a.C., numa região ao norte da África, de fundamental importância estratégica. A florescente civilização cartaginesa chegou a desafiar o poder de Roma, o que causou seu desaparecimento.
Origens e evolução histórica. Entre as diversas lendas sobre a fundação de Cartago, a mais difundida é a narrada na Eneida, segundo a qual a colônia foi fundada por Dido, irmã do rei fenício de Tiro, Pigmalião, de cuja ambição ela foi obrigada a fugir, abrigando-se em terras africanas.
Critérios históricos mais precisos estabelecem que os fenícios, em sua expansão, procuraram lugares apropriados para se dedicarem ao comércio, tendo encontrado na costa africana uma das melhores localizações. Embora já fosse comum no Mediterrâneo ocidental a presença dos fenícios, a cultura desse povo conheceu, com Cartago, um dos mais esplendorosos momentos de sua história.
No início, a colônia dependia de Tiro, a principal cidade fenícia; mas, depois da dominação desta pelos assírios, a civilização cartaginesa sobreviveu por si mesma e conseguiu situar-se à frente das demais colônias fenícias, até constituir um império. A dinastia dos magônidas impulsionou o crescimento de Cartago, que fundou novas colônias, como Ibiza, no século VII a.C., e estendeu sua influência até a Sicília, a Sardenha e todo o litoral do Mediterrâneo. A partir desse momento, Cartago inaugurou uma política comercial que impunha ao resto das cidades fenícias o papel de meras feitorias.
Nos séculos VI e V a.C., os cartagineses mantiveram sua preponderância econômica, que se viu prejudicada pela presença de comerciantes gregos na ilha da Sicília. A rivalidade pelo domínio das rotas marítimas entre Cartago e as cidades da chamada Magna Grécia, que agrupava as colônias gregas do sul da Itália, gerou conflitos freqüentes. Por volta de 480 a.C., a aliança das cidades gregas de Siracusa e Agrigento derrotou um exército púnico comandado pelo general Amílcar Barca na batalha de Hímera.
Os confrontos com os gregos da Sicília se sucederam durante anos. Cidades como Gela, Siracusa ou Camarina sofreram constantes ataques dos cartagineses, preocupados em salvaguardar seu império. Cartago não desistiu até conseguir dominar a ilha, de grande importância para a sua economia.
A partir da segunda metade do século V a.C., a civilização púnica, que durante séculos se havia baseado no predomínio marítimo, iniciou um movimento de expansão para o interior das terras onde exercia seu poder. Os povos da Sardenha, da península ibérica e do norte da África viram penetrar o exército cartaginês, obrigado pelas contínuas campanhas e pelas necessidades defensivas a estabelecer bases continentais em que pudesse obter soldados mercenários. Assim, celtiberos, líbios, númidas e mauritanos passaram a integrar seu núcleo militar.
O grande império púnico, cuja força residia no domínio comercial, se viu defrontado com o crescente poder da civilização romana. O antagonismo entre os dois povos originou as três guerras púnicas, a primeira das quais (164-241 a.C.) nasceu do conflito entre as cidades sicilianas de Messina, apoiada por Cartago, e Siracusa em 264 a.C. A segunda guerra púnica (218-201 a.C.) se originou nas campanhas de conquista realizadas por Aníbal em território ibérico. A terceira guerra púnica (149-146 a.C.) foi precipitada pelos ataques de Massinissa, chefe númida, e Cartago sucumbiu depois de um terrível assédio de três anos. Quando os soldados romanos entraram na cidade, destruíram cada rua e cada casa. A posição estratégica de Cartago levou os romanos a construírem no local, em 35 a.C., uma nova cidade, submetida mais tarde ao domínio bizantino. Quando, em 696, os árabes se apoderaram da região, encontraram apenas ruínas.
Civilização cartaginesa. Os cartagineses se dedicaram principalmente à vida comercial. Exploraram de modo racional e exaustivo todas as rotas mercantis mediterrâneas abertas pelos fenícios, assim como suas colônias. Cartago era uma cidade-estado edificada sobre uma península e dispunha de vários portos aparelhados tanto para a comunicação quanto para a defesa. O estado apoiou e desenvolveu a iniciativa mercantil sem sobrecarregar com impostos as transações comerciais privadas. Mas todos os barcos que atracavam em portos de domínio cartaginês tinham que pagar elevados tributos à metrópole. As colônias do Mediterrâneo registraram a presença de comerciantes cartagineses dedicados à compra e à venda de vinho, azeite de oliva, jóias e perfumes.
A sociedade era dominada pela aristocracia, que ocupava os altos cargos militares e também controlava a vida econômica. No começo o governo era encabeçado por um rei, mais tarde substituído por dois sufetas (supremos magistrados). Os problemas políticos eram debatidos no Senado, cujos membros procediam da nobreza. No século V a.C., seu poder reduziu-se e foi criada outra instituição paralela, que partilhava as funções legislativas, o Tribunal dos Cento e Quatro.
A religião cartaginesa, originada em grande parte da fenícia, se fundamentava no medo e na submissão a deuses cruéis e terríveis. Professava-se o culto a Baal-Hamon, senhor dos altares; a Tanit, ligada à fertilidade e à Lua; e a outras divindades fenícias, como Melqart. Os deuses não tinham representação física e eram concebidos como símbolos abstratos de significado misterioso.
Embora tenham recebido muitas influências, principalmente helenísticas, os cartagineses deixaram a marca de seus costumes e de suas crenças nas regiões que dominaram.
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