Reflexões sobre aprendizagem e ensino na Internet

 

Luciano Meira
Departamento de Psicologia
Universidade Federal de Pernambuco

 

Resumo

Este artigo discute possíveis formas de uso educacional da Internet, em particular através de programas de formação docente e ensino de conceitos científicos. Os conceitos de conectividade, comunicação e colaboração são revisitados à luz de desenvolvimentos recentes nas áreas tecnológica e da psicologia cognitiva, e propostos como parâmetros de transformação educacional na Sociedade da Informação. O artigo apresenta também as idéias principais de um web site educacional em desenvolvimento SALA 21© planejado a partir de reflexões sobre estes parâmetros.

Abstract

The article presents parameters for reflecting about the educational use of Internet, focusing on teacher education and on the teaching of scientific concepts. Connectivity, communication and collaboration are suggested as baseline concepts for educational change in the Information Society. These concepts are discussed and reviewed in light of recent developments in information technology and Cognitive Psychology. The article also presents the fundamentals of a educational web site SALA 21© designed on the basis of those parameters.
 

Historicamente isolada de outros segmentos da sociedade, o ideário escolar enquanto instituição “bancária” (no sentido atribuído por Freire, 1990) é crescentemente inadequado e menos pertinente frente às novas tecnologias de produção e disseminação global de informações. Os processos usuais e correntes de educação escolar, desde a pré-escola ao terceiro grau, falham por razões diversas, entre as quais destacam-se:

(i) A formação inadequada de professores, ao contemplar mais a transmissão de conteúdos bem estabelecidos na comunidade científica, que aqueles domínios emergentes de investigação nas diversas áreas do conhecimento;
(ii) Os mecanismos tradicionais de ensino, ao incentivarem sobretudo a apresentação e aquisição de fatos e procedimentos, em detrimento da aprendizagem conceitual e dos processos de construção do conhecimento;
(iii) A baixa qualidade dos materiais e textos didáticos, empobrecidos em relação ao corpo emergente de conhecimentos continuamente produzidos por comunidades científicas diversas;
(iv) A ausência de planos educacionais amplos que busquem a integração dos diversos níveis de ensino, e, no escopo destes, a interdisciplinaridade.

Em outras palavras, o processo educacional escolar em todos os níveis é freqüentemente restritivo na medida em que nega a seus participantes acesso à rede de informações sobre a qual o conhecimento é construído. Além disso, no caso do processo educacional típico à instituição escolar, é importante que a facilitação do acesso à informação seja acompanhada de ações planejadas no sentido de transformar informações em conhecimento. Assim, pelo menos três componentes de um planejamento educacional conceitualmente sofisticado e socialmente produtivo são necessários:

(i) Elaboração de Cenários, ou ambientes interativos que situem a informação em contextos históricos, culturais, materiais e sociais específicos;
(ii) Planejamento de Atividades, através das quais se dá a exploração de informações localizadas em ambientes específicos, e seu uso na resolução de problemas;
(iii) Produção de Conceitos, ou seja, os conhecimentos resultantes da atividade dos indivíduos e grupos em ambientes especialmente estruturados.

Avanços recentes nas chamadas tecnologias da informação fazem antever a emergência de formas novas e extremamente plásticas de produção de conhecimentos, onde aprendizes e gestores da cultura escolar (alunos, professores, pais, pesquisadores, e governos) podem escapar da educação bancária em direção aos novos cenários, atividades e conceitos do terceiro milênio.

Projetos educacionais de uso destas novas tecnologias, notadamente aqueles voltados à Internet, poderão promover uma revisão profunda nas contradições até hoje inerentes à instituição escolar, no que diz respeito aos processos de ensino e aprendizagem. O quadro abaixo resume o que chamarei o Nó da escola enquanto instituição, contrapondo a visão bancária tradicional a uma perspectiva educacional construída com o suporte das novas tecnologias de informação, nos níveis de produção e tratamento de conhecimentos, informações e experiências.

Conhecimento 

Informação 

Experiência Histórica e Cultural

Fatual: Saber “o que” sem saber “como” ou “porque” 

Caótica: Compartimentalizada e desconexa 

Tangencial: Anacrônica e excludente

Instrumental: Ênfase nos processos de produção de novos conhecimentos

Estruturada: Distribuída e descentralizada

Central: Integralizadora e personalizada

Com o uso intenso e acentuado das novas tecnologias de informação através da Internet, o chamado Nó poderá dar lugar, eventualmente, a uma Rede que liga três conceitos fundamentais:

(i) Conectividade: Estabelecimento de conexões rápidas, flexíveis e confiáveis entre indivíduos, grupos e sociedades;
(ii) Colaboração: Utilização das conexões com vistas à resolução conjunta de problemas e à produção colaborativa de novos conhecimentos;
(iii) Comunicação: Construção de significados coletivos para os novos conhecimentos produzidos.

Como instrumento de mediação entre grupos e indivíduos, e na qualidade de artefato semiótico (Vygotsky, 1987), o computador (em rede) trará uma contribuição singular no estabelecimento deste espaço simbólico de ensino e aprendizagem que chamamos a Rede. A fim de participar de forma significativa neste processo, projetos de uso educacional da Internet deverão promover a construção de ambientes de alta interatividade, capazes de oferecer simulações, visualização e manipulação de objetos conceituais, além de prover ferramentas que permitam o registro, modelagem e análise de dados e informações em tempo real.

Pedagogia da Web

Em tese, a instituição escolar pode ainda tornar-se um ambiente singular da construção e difusão de conhecimentos, embora o modelo educacional corrente seja ultrapassado e contra-produtivo frente as exigências de sociedades com aspirações tecnológicas de alto nível. Um dos objetivos centrais do uso educacional da Internet deve ser utilizar toda a malha de informações criadas a partir de sites específicos, como base e suporte para a estruturação de uma rede que pretenda reunir professores, alunos e pesquisadores na construção colaborativa de conhecimentos, da pré-escola ao terceiro grau. Hoje, uma das preocupações centrais de grupos de pesquisa e educadores em todo o mundo é planejar, implementar e disponibilizar sites e cenários de suporte à aprendizagem conceitual. Estes grupos, freqüentemente interdisciplinares, tem como objetivo explorar e especializar os recursos da tecnologia de redes, da engenharia de software, da psicologia e da didática, com vistas à elaboração de uma pedagogia da web com enfoque sobre as seguintes ações:

(i) Reflexões teóricas e estudos empíricos sobre o potencial da Internet para reformas da educação básica, secundária, técnica e universitária;
(ii) Construção de interfaces computacionais inteligentes voltadas para o ensino de conceitos específicos nas diversas áreas do conhecimento humano;
(iii) Pesquisas sobre novas formas de comunicação e colaboração através de redes de computadores;
(iv) Desenvolvimento de micromundos (ambientes digitais dinâmicos) voltados à exploração de conceitos científicos.

Uma pedagogia da web deverá contemplar também a geração de modelos cognitivos e educacionais da construção distribuída de conhecimentos nos diversos domínios científicos (matemática, física, química, biologia, história, geografia, línguas etc.) Neste contexto, é possível imaginar, por exemplo, projetos de resgate da história recente do país, através da pesquisa coordenada de grupos de historiadores, professores de história no primeiro, segundo e terceiro graus, alunos, líderes políticos e comunitários, que teriam como suporte os vários cenários produzidos por bibliotecas digitais distribuídas pela Internet. Ou ainda, podemos prever a emergência de sites voltados à alfabetização matemática para o cidadão comum, onde teríamos acesso a modelos gráficos dinâmicos do comportamento real da economia no país, visualizando também os possíveis efeitos da variação de parâmetros sócio-econômicos diversos controlados pelo usuário.

Sob o impacto da Internet, a educação escolar e universitária poderão sofrer profundas mudanças em suas práticas diárias. O exemplo a seguir, parafraseado de um episódio (ainda) fictício descrito no documento Digital Technology and its Impact on Education,  dá uma idéia dos novos parâmetros de construção de conhecimentos na era da informação:
 

A professora de geografia inicia a primeira semana de abril anunciando a seus alunos de oitava série que naquele mês iniciará uma lição que requer a memorização de todas as capitais dos estados brasileiros. Este procedimento é freqüente em suas aulas e tem sido utilizado com sucesso em quinze anos de profissão. Desta vez, entretanto, uma aluna levanta-se e abre seu laptop, liga-o, e conecta-se via ligação celular à WWW. “Mas professora”, diz ela, “olhe para este mapa; eu posso clicar em qualquer estado e ele me mostra o nome da capital, imagens externas e internas do palácio do governo, uma mensagem em áudio do governador, um resumo da história da cidade e do estado, todos seus recursos naturais e as principais indústrias. Por que não investigamos alguma coisa sobre cada estado, que já não está imediatamente disponível na rede? Por exemplo, nós podíamos fazer uma pesquisa on-line em bibliotecas digitais para descobrir quem foram os primeiros colonizadores de cada estado e porque se fixaram naquela região... Ou, olhe professora, aqui tem um site de discussão onde outras escolas estão trabalhando juntas para entender como seus estados foram colonizados e desenhar seus próprios mapas sobre a ocupação do país. Poderíamos nos juntar a eles e contribuir com uma pesquisa sobre nosso estado! Ih, olha aqui, alguns estudantes da Universidade estão se oferecendo para colaborar neste projeto, nos ensinando como pesquisar este tipo de informação na web. Eles estão se formando para serem professores, exatamente como a senhora.” A professora, meio confusa, responde: “Mas Laura, eu nunca usei computadores nas minhas aulas, nós não temos nenhum em nossa sala, e eu não sei o que você quer dizer com a web.” Laura: “Ah, não se preocupe, professora, eu posso lhe mostrar muitas coisas sobre a web hoje depois da aula, e a nova sala de informática no primeiro andar tem uma linha telefônica dedicada, então tudo que a senhora precisa fazer é reserva-la dois dias na semana. Já tem outros professores usando o laboratório para ensinar.”

Para além da educação básica e secundária, as novas tecnologias da informação deverão provocar mudanças também profundas na educação superior, amplificando competências e transformando papéis. O modelo de tutelagem to tipo mestre-aprendiz ainda presente em nossos campi é reconhecidamente oneroso e na maioria dos casos improdutivo, dados os severos limites temporais e espaciais próprios à interação sincrônica, face-a-face, entre mestre e aprendiz. Com a Internet, novas formas assincrônicas de conectividade, colaboração e comunicação serão criadas através de ambientes distribuídos de aprendizagem (Pea, 1993; Cobb, 1997) que colocam o indivíduo na interseção de uma gama enorme de interações, posicionando o aprendiz no papel de criador dos conhecimentos demandados por sua área de formação. Algumas questões instigantes para a reforma do ensino superior nesta nova era são apresentadas no documento Towards a Distributed Learning Infrastructure:
 

As tecnologias da informação oferecem à educação superior um novo suporte para seu capital mais valioso: o corpo docente. Professores devem conhecer uma área suficientemente bem para criar novos conhecimentos, montar materiais didáticos para os alunos, e fazer conexões entre conceitos específicos e sistemas teóricos mais amplos. Eles trabalham junto às suas instituições e associações profissionais na montagem de currículos e na avaliação da aprendizagem, e podem influir decisivamente sobre a natureza dos cursos oferecidos em suas instituições. Devemos aprender, portanto, como as novas tecnologias podem ampliar o contrato social entre aprendizes, mentores e instituições. Como fortalecer a interação entre alunos e professores através do potencial das tecnologias de informação para o aumento da produtividade instrucional? Que tipo de estudante necessitaria freqüentar o Campus de uma instituição universitária, por que período, e quando? Quais são, de fato, os aspectos insubstituíveis da presença do aluno nos campi universitários? Que aspectos da aprendizagem podem ser melhor mediados diretamente pelos professores, e quais aspectos poderiam ser mediados indiretamente com o auxílio de tecnologias informatizadas?

Respostas a estas questões já têm sido pelo menos parcialmente oferecidas por grupos diversos, ao implementarem ações no sentido da criação de cursos e laboratórios virtuais de pesquisa disponibilizados na Internet. Através destes laboratórios, por exemplo, alunos de física em cursos geograficamente dispersos pelo planeta, e assessorados por professores doutores de suas instituições de origem, podem trabalhar colaborativamente na montagem virtual de experimentos (replicados ou originais) com laseres, e obterem resultados simulados e/ou reais sobre os efeitos de diversos tipos de fibras óticas no transporte de informações. Ao acessar o laboratório na Internet, pelo menos parte dos alunos estariam experienciando o “manuseio” (virtual) de equipamentos inexistentes em suas instituições, e todos eles estariam multiplicando por várias unidades o número de professores especialistas aos quais poderia ter acesso em sua própria instituição ou encontros científicos eventuais.

SALA 21 ©

O problema da formação de professores e do ensino à distância através da Internet estende-se desde a produção de programas e interfaces computacionais, à pesquisa, desenvolvimento e avaliação de cenários, atividades e conceitos próprios ao tratamento da informação digitalizada, a partir de perspectivas educacionais e cognitivas.
O projeto SALA 21© pretende, prioritariamente, disponibilizar um site educacional na Internet com as características definidas na seção anterior, enfatizando a formação em serviço de professores de primeiro e segundo graus. O site oferecerá quatro serviços principais: (i); Painel de Consulta e Avaliação; (ii) Biblioteca Digital; (iii) Fórum de Discussão e Pesquisa; e (iv) Tutor. Estes serviços são sumariamente descritos a seguir em ordem crescente de complexidade, e exemplificados com ambientes semelhantes em desenvolvimento por grupos e instituições diversas:

1. Painel- Este ambiente será o mais simples de todos, com características semelhantes à maioria dos sites educacionais e comerciais já disponíveis na WWW. O cenário permitirá aos usuários acesso a: (i) Informações sobre as atividades propostas e formas de utilização do site; (ii) Um sistema de consulta aos usuários com vistas à coleta de dados sobre assuntos educacionais diversos, incluindo a avaliação do impacto do site na melhoria da educação básica e secundária; (iii) Links para homepages de interesse da comunidade educacional.

2. Biblioteca Digital- Esta biblioteca conterá acervos dos seguintes itens: (i) Artigos integrados dinâmicos (texto-som-animações-vídeo), ou “active essays”, que tratem de problemas relativos ao ensino e aprendizagem de conceitos nas diversas disciplinas escolares; (ii) Problemas e atividades para o ensino de conceitos científicos na escola; (iii) Software educacional para download. Exemplos: A NSTA (National Science Teachers Association, http://www.nsta.org), através dos projetos ACOP (Apple Classrooms of Tomorrow, http://www.apple.com.au/edu/ACOT) e SS&C (Scope, Sequence & Coordination, http://www.gsh.org/NSTA_SSandC), apresenta para professores e outros profissionais da educação básica explicações detalhadas sobre conteúdos curriculares, e oferece download de miniprojetos em multimídia prontos para uso na sala de aula, incluindo vídeos e software educativo.

3. Fórum- Este ambiente proverá uma conexão do tipo BBS que possibilite a emergência de grupos de discussão e notícias voltados a questões educacionais e didáticas específicas. Exemplos: A NASA (National Aeronautics and Space Administration), através dos programas NASA K-12 Internet Initiative (http://quest.arc.nasa.gov) e High Performance Computing and Communication (http://iita.ivv.nasa.gov), oferece um conjunto de recursos que conectam milhares de professores e alunos de todos os níveis a bibliotecas, projetos de investigação científica distribuídos pelo mundo, e sites de discussão que permitem a interação on-line entre estudantes e cientistas. TERC (Technical Education Research Center, http://www.terc.edu) coordena, entre outros, o projeto Global Lab (http://www.hub.terc.edu/terc/gl/global-lab.html), responsável por coletas e análises de dados ambientais a partir de sites em escolas espalhadas pelo mundo e centros de pesquisa de renome internacional. No MIT (Massachusetts Institute of Technology), o Media Lab (http://el.www.media.mit.edu) através do Epistemology and Learning Group, promove o projeto MUSIC (Multi-Sessions In Community, http://el.www.media.mit.edu/people/acs), voltado ao desenvolvimento de networks comunitários com vistas à promoção de fóruns de discussão, através de interfaces de fácil acesso a neófitos na cultura própria desta mídia.

4. Tutor- As atividades deste ambiente estarão entre as mais complexas a serem desenvolvidas no site, e serão compostas de: (i) Atividades de capacitação para o professor, a partir de módulos interativos que permitem a resolução on-line de problemas em áreas específicas do conhecimento; (ii) Simulações (controladas e monitoradas por usuários e provedores) com vistas à exploração de conceitos científicos diversos. Exemplos: O Media Lab (MIT), através do Epistemology and Learning Group, vem desenvolvendo uma série de experimentos interativos na web, onde, por exemplo, os usuários podem manipular as regras que determinam o movimento de objetos na tela e avaliar as conseqüências das variações testadas (Exploring Emergence Project, http://el. www.media.mit.edu/groups/el/projects/emergence). Várias instituições educacionais e de pesquisa apresentam sites com versões demonstrativas do LabVIEW (National Instruments, http://www.natinst.com), um software gráfico que permite a leitura de dados on-line a partir de sensores conectados ao computador. Em sites específicos da Internet (e.g., http://www.natinst.com/education/EducVIexc.htm), laboratórios diversos usando este software podem comparar e trocar dados de pesquisa.

A proposta do SALA 21© inclui ainda o acompanhamento crítico de ações a serem implementadas na área de design de sistemas de tratamento de informações, através dos seguintes mecanismos:

(i) Colaboração no design dos sistemas propostos pelos grupos de engenharia de software e redes integrados ao projeto, com vistas à realização de pesquisas empíricas sobre a utilização destas arquiteturas e interfaces na prática diária de usuários de níveis diversos de competência;
(ii) Elaboração de modelos de design que possam orientar ações pedagógicas a partir do site, como o uso de bibliotecas digitais por professores em formação e alunos de primeiro e segundo graus;
(iii) Planejamento de pesquisas relacionadas à aprendizagem de conceitos científicos através da Internet, tendo por base teórica o paradigma da cognição situada (Suchmann, 1987), e os princípios da tecnologia transparente (Wenger, 1991) e design orientado ao usuário (Norman, 1988).

O projeto SALA 21©, idealizado e coordenado por este autor, encontra-se nas fases iniciais de desenvolvimento e será implementado por pesquisadores do Dep. de Psicologia e Dep. de Ciências da Computação da Universidade Federal de Pernambuco.

Comentários Finais

No Brasil, as expansões tecnológicas na área educacional pretendidas pelo Programa de Informática na Educação do Ministério da Educação e do Desporto (MEC), através da Secretaria de Educação à Distância (SEED) revelam um cenário ao mesmo tempo promissor e preocupante: até 1988, espera-se que 7.500 escolas públicas de primeiro e segundo graus (ou o equivalente a 5 milhões de alunos) deverão estar ligadas à Internet. Adicionalmente, um número incontável de escolas da rede privada de ensino no país já fazem uso corrente de laboratórios de informática. No terceiro grau, inúmeros programas de informatização de cursos de graduação e pós-graduação têm produzido algumas mudanças importantes na formação universitária em profissões tão díspares quanto enfermagem, sociologia e matemática.

A despeito destes planos de informatização da escola, e dos atuais programas de informática educativa implementados nos diversos níveis de ensino, não existem ainda definições claras e precisas acerca do uso e impacto da Internet em projetos de formação e ensino à distância. Assim, a pesquisa e o planejamento cuidadoso devem ser tomados como prioritários e prévios à implementação de experiências pedagógicas em larga escala. As propostas apresentadas neste artigo têm o sentido de oferecer alguns parâmetros para esta reflexão necessária.

Referências

Cobb, P. (1997). Learning from distributed theories of intelligence. In: Pehkonen, E. (Ed.), Proceedings of the 21st Conference of the International Group for the Psychology of Mathematics Education. Lahti: University of Helsinki.

Freire, P. (1990). Pedagogy of the oppressed. New York: Continuum.

Norman, D. (1988). The psychology of everyday things. New York: Basic Books.

Pea, R. (1993). Practices of distributed intelligence and designs for education. In: G. Salomon (Ed.), Distributed cognitions (pp. 47-87). New York: Cambridge University Press.

Suchman, L. (1987). Plans and situated actions: The problem of human-machine communication. Cambridge: Cambridge University Press.

Vygotsky, L.  (1934/1987).  Thinking and speech.  In R. Rieber & A. Cartoon (Eds.), The collected works of L. S. Vygotsky (v. 1).  New York: Plenum Press.

Wenger, E. (1991). Toward a theory of cultural transparency: Elements of a social discourse of the visible and the invisible. Tese de Doutorado.  University of California at Irvine: Irvine, CA.



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