Universidade de Brasília – UnB
Depto. de Línguas Estrangeiras – LET
No. de Identificação do Curso: _________
Instituto de Letras – IL
Professor: Dr. João Sedycias
A Internet no Ensino de LE-PG

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A Internet

O que é a Internet?

A Internet é uma gigantesca rede mundial de computadores, que inclui desde grandes computadores até micros do porte de um PC. Esses equipamentos são interligados através de linhas comuns de telefone, linhas de comunicação privadas, cabos submarinos, canais de satélite e diversos outros meios de telecomunicação. Os computadores que compõem a Internet podem estar localizados, por exemplo, em universidades, empresas, cooperativas, prefeituras, e nas próprias residências. No Brasil, o número de pessoas e computadores ligados à Internet, esta em verdadeira acenssão, pequenos comercios e grandes empresas, estão tambem aderindo a este meio substancialmente novo de provimento e acesso de serviços.

Fazendo um paralelo com a estrutura de estradas de rodagem, a Internet funciona como uma rodovia pela qual a informação contida em textos, som e imagem pode trafegar em alta velocidade entre qualquer computador conectado a essa rede. E por essa razão que a Internet é muitas vezes chamada da "super rodovia da informação".

De onde surgiu a Internet?

A tecnologia e conceitos fundamentais utilizados pela Internet surgiram de projetos conduzidos ao longo dos anos 60 pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Esses projetos visavam o desenvolvimento de uma rede de computadores para comunicação entre os principais centros militares de comando e controle que pudesse sobreviver a um possível ataque nuclear. Ao longo dos anos 70 e meados dos anos 80 muitas universidades se conectaram a essa rede, o que moveu a motivação militarista do uso da rede para uma motivação mais cultural e acadêmica. Nos meados dos anos 80 a NSF - National Science Foundation dos EUA (algo como o CNPq do Brasil) constitui a uma rede de fibra ótica de alta velocidade conectando centros de supercomputação localizados em pontos chave no EUA. Essa rede da NSF, chamada de "backbone da NSF", teve um papel fundamental no desenvolvimento da Internet nos últimos 10 anos por reduzir substancialmente o custo da comunicação de dados para as redes de computadores existentes, que foram amplamente estimuladas a se conectar ao "backbone" da NSF. O controle da "backbone" mantido pela NSF encerrou-se em abril de 1995, sendo passado em sua grande totalidade para o controle privado. Ao longo dos últimos 5 anos, e especialmente nos últimos 2 anos, o interesse comercial pelo uso da Internet cresceu substancialmente. Muito possivelmente o interesse comercial, ao lado do cultural e acadêmica, constituirá a principal motivação para utilização da Internet nos próximos anos.

Por que a Internet é importante?

A Internet é considerada por muitos como um dos mais importantes e revolucionários desenvolvimentos da história da humanidade. Pela primeira vez no mundo um cidadão comum ou uma pequena empresa pode (facilmente e a um custo muito baixo) não só ter acesso a informações localizadas nos mais distantes pontos do globo como também - e é isso que torna a coisa revolucionária - criar, gerenciar e distribuir informações em larga escala, no âmbito mundial, algo que somente uma grande organização poderia fazer usando os meios de comunicação convencionais. Isso com certeza afetará substancialmente toda a estrutura de disseminação de informações existente no mundo, a qual é controlada primariamente por grandes empresas. Com a Internet uma pessoa qualquer (um jornalista, por exemplo) pode, de sua própria casa, oferecer um serviço de informação baseado na Internet, a partir de um microcomputador, sem precisar da estrutura que no passado só uma empresa de grande porte poderia manter. Essa perspectiva abre um enorme mercado para profissionais e empresas interessados em oferecer serviços de informação específicos.

Quem controla a Internet?

A Internet surpreendentemente não é controlada de forma central por nenhuma pessoa ou organização. Não há, por exemplo, um presidente ou um escritório central da Internet no mundo. A organização do sistema é desenvolvida a partir dos administradores das redes que a compõe e dos próprios usuários. Essa organização pode parecer um pouco caótica à primeira vista mas tem funcionado extremamente bem até o presente momento, possibilitando o enorme crescimento da rede observado nos últimos anos.

O que significa “estar conectado” à Internet?

Estar ligado ou conectado à Internet, usualmente significa ter uma "conta" em um computador "servidor" que esteja conectado à Internet localizado em uma instituição (ou empresa) que seja provedora de serviços de acesso à Internet. Essa "conta" nesse computador ligado à Internet é usualmente acessada de um microcomputador através de um modem e de uma ligação telefônica comum. Ter essa conta implica em se ter um "endereço eletrônico" na Internet, que funciona de forma similar ao endereço postal. A título de exemplo, um possível endereço na Internet poderia ser: maxfilho@bn.com.br onde "maxfilho" representa uma identificação da pessoa no computador em que tem uma conta e "bn.com.br" o endereço desse computador na Internet. O ".br" no final do endereço indica que o computador é da rede brasileira.

O que é possível fazer na Internet?

Se sob o ponto de vista físico a Internet é uma conexão entre redes, para o usuário ela aparece como um grupo de serviços disponíveis para a troca de infomações entre computadores ou indivíduos conectados à Internet.

Quantas pessoas e computadores estão ligados à Internet?

Dado o caráter descentralizado da Internet é muito difícil se conhecer exatamente o número de computadores conectados a ela e o número e perfil das pessoas que a utilizam. Pelas contas atuais, já são milhões de usuários conectados em todo o mundo. Segundo a revista americana Board-watch, uma das mais conceituadas publicações sobre o mundo on-line, essa cifra está hoje na casa dos 45 milhões.

Os primórdios

A fagulha que acabaria por acender a história da revolução da conectividade ocorreu em 1957, quando a União Soviética pos em orbita o primeiro satélite espacial, o Sputnik: quatro meses depois, o presidente americano Dwinght Eisenhower anunciava a criação da ARPA (Advenced Research Projects Agency), com a missão de pesquisar e desenvolver alta tecnologia para forças armadas. Em 1962, a ARPA encarregou a Rand Corporation - um conselho formado em 1948 - de criar um método que garantice as comunicações governamentais no caso de um ataque nuclear. Dois anos depois, a Rand publicou um relatório chamado "Sobre Comunicação Distribuida" ("On Distributed Communication"), um tratado de Paul Baran a respeito de redes de comutação de pacotes, partindo do pressuposto que a rede em qualquer circunstância, evitava um modelo centralizado, prevendo que todos os 'nós' seriam interligados por caminhos reduntantes e teriam autonomia para gerar, transmitir e receber mensagens. As mensagens seriam divididas em pacotes (pequenos grupos de dados), os quais seriam endereçados separadamente e remetidos de uma máquina a outra. O clitério que cada pacote receberia seria irrelevante; o importante que o modelo garantia que todos os pacotes chegariam aos seus destinos e seriam reagrupados, reconstituindo a mensagem original. Como a idéia era criar deiversos canais reduntantes, ligando os diversos 'nós' da rede entre si, seria necessário destruir praticamente toda a rede para impedila de funcionar. Em 1967. a ARPA apresentou o primeiro plano real de uma rede de comutação de pacotes.

O protótipo

No ano seguinte, Larry Roberts, Ivan Sutherland e Bob Taylor, da ARPA, arregimentaram quatro universidades pra começar a implementação de pacotes, que receberia o nome de ARPANET. A conecção entre as unidades foi feita através de um equipamento chamado Interface Message Processor, contruido pela BBN (Bolt, Beranek and Newman, a empresa que inventaria o modem em 1963). O IMP funcionou na primeira tentativa, de modo que Stanford, Berkeley, UCLA e universidades do Utah estavam conectadas através de um protocolo chamado Network Cntrol Protocol (NCP) antes do fim de 1969. A ARPANET   era uma realidade no mesmo ano da criação da Unix, que seria fundamental para sua transformação em Internet. A ARPANET cresceu rapidamente e, em 1971, já  tinha triplicado contando com 15 'nós' e 23 hosts. Um anao mais tarde, durante a primeira Conferência Internacional sobre Comunicações Computacionais, em Washington, foi efetuada a primeira demonstração publica da ARPANET - um grande sucesso. No fim do ano, Ray Tomlinson, da BBN, inventou o correio eletrônico, até hoje, a aplicação mais usada na NET. Mais um ano e a Inglaterra e Noruega foram ligadas a rede - a ARPANET era um fenômeno internacional. Ainda em 1972, foi especificado o Telnet, padrão para emulação remota de termona; no ano seguinte, vei a especificação do protocolo para a transferencia de arquivos, o FTP, outra aplicação fundamental na Internet. Em 1973, quem estivesse ligado a ARPANET, já podia logar como terminal em um servidor remoto, copiar arquivos e trocar mensagens.

O crescimento

A ARPANET cresceu rapidamente e chegaria ao fim de 1974 com 62 servidores (muito mais do que os 19 que seus idealizadores previam). Era necessário aperfeiçoar o protocolo de comunicação da ARPANET, o NCP, e romper sua barreira de 256 m quinas conectadas. Vinton Cerf (hoje vice-presidente da MCI) e Bob Kahn (antigo colaborador de Larry Roberts) propuseram o TCP/IP (Transmicion Control Protocol/Internet Protocol). Além de oferecer quatro bilhões de endereços possíveis, o novo sistema ultizava uma arquitetura de comunicação em camadas, com protocolos distintos, cuidando de tarefas distintas. Ao TCP cabia quebrar mensagens em pacotes de um lado e recompolas do outro, garantindo a entrega segura das mensagens. Ao IP cabia descobrir o caminho exato entre o remetente e o destinatário e enviar os pacotes. O TCP/IP foi adotado progressivamente, funcionando em paralelo com o NCP até 1983, quando este foi abandonado defitivamente. Ainda em 1974, Bob Metcalfe (mais tarde fundador da 3Com) sentou o Ethernet, um método para interconectar computadores próximos com altas taxas de transmição. O Ethernet se tornou um método simples e barato de ligar computadores a pequena distánci a e se tornaria sinónimo de rede local. A terceira fase da era da computação - a da computação pessoal - senteria inicio no ano seguinte, mas a quarta fase - a conectividade - já  se delineava com a ARPANET e o Ethernet. A formula original de redes em pacotes da Rand, ultilizando diversos meios físicos (cabo, rádio e satélite) foi demonstrada na prática em 1977. Através de um rádio móvel, uma mensagem foi enviada para um satélite da ARPANET, desceu na Noruega, foi retransmitida para Londres, subiu a outro satélite e assim em diante. A mensagem, dividida em pacotes, percorreu 150 mil quilómetros até o Intituto de Ciências da Informa‡ao da universidade do Sul da Califórnia (que por sinal ficava a apenas 800 quilómetros de distância da Baía de Sao Francisco, de onde a mensagem tinha sido transmitida). A ARPANET funcionava mesmo.

Redes paralelas, mas integradas

Em 1978, Tom Truscott e Jim Ellis, dois estudantes da faculdade de Duke, tiveram a idéia de distribuir informa‡oes as pessoas da comunidade Unix através de UUCP (Unix-to-Unix CoPy), um progama criado pela AT&T dois anos antes, que permite cópia de arquivos através de linhas discadas. Escreveram, junto com Steve Bellovin, da Universidade da Carolina do Norte, E Steve Daniel, um progama de conferência e interligaram os computadores das duas universidades. O sistema foi batizado de Unix User Network, ou simplemente Usenet. No início, todos os grupos de discussão pertenciao a hierarquia net, mas logo forma criados grupos sobre a hierarquia mod, indicando que tinham moderadores. Com a multiplicação dos grupos de discussão, passou a ser necessario reorganizalos de forma racional. Entre julho de 86 e março de 87 ocorreu oque ficou conhecido como "The Great Renaming" que distribuiu todos os grandes grupos em seis categorias: comp (assuntos de computação), misc (micelánea), news (notícias), rec (recreação), sci (ciências), soc (temas sociais) e tuik (bate-papo).

A Usenet continuou a crescer rapidamente e passou a usar cada vez mais a ARPANET como principal canal de distribuição, o que levou a criação de um protocolo de transmissão próprio, o NNTP (Net News Transfer Protocol) em vez do UUCP. A ARPANET, entretanto, só distribuía os grupos mais importantes, e começou a haver pressão para a criação de newsgroups fosse democratizado. A situação ficou insuport vel quando Richard Sexton propos a criação de um grupo rec.sex (logo veio um rec.drugs). A proposta foi aceita, mas os administradores do recém criado backbone (veja abaixo) da ARPANET se recusaram a distribuir grupos com esses temas. O resultado foi a criação de mais uma categoria, o alt (de alternativo) - cujos primeiros grupos formam alt.sex, alt.drugs e alt.rock-n-roll (segundo aos seus criadores, devido a "razoes artísticas"!) um grupo de discussão que era distribuído atraves de outros canais, evitando deliberadamente o backbone da ARPANET. A Usenet ‚ o maior fórum de discussões do mundo, contando com 15000 grupos de discussão oficiais e mais outros tantos alternativos.

A BITNET (Because It's Time NETwork), uma rede acadêmica de City University de Nova York com conexão a Universidade de Yale, foi criada em 1980. Originalmente chamada "Because It's There NETwork" em homenagem aos protocolos NJE (Network Job Entry) da IBM, que estavam dispon¡veis gratuitamente, a BITNET utiliza um sistema de correio eletrônico chamado "listserv" que permite aos interessados publicarem os artigos e subscreverem mailing lists especializadas em determinados t¢picos evitando mensagens para um servidor de listas isso permite aos interessados que leiam mensagens sem que esteja no ar uma conexão com o servidor (ao contrario do que acontece com a Usenet). O m‚todo fez sucesso e hoje h muitos listservs que nada tem que ver com a BITNET. Em 1981, a France Telecom, com o objetivo de baratear o custo de impressão de listas telefônicas, começou a explorar o Minitel, uma rede de videotexto comum. Apesar do videotexto - interface caracter, baixa velocidade, baixo poder de processamento, teclado restrito - o Minitel foi um grande sucesso e sua presen‡a na Fran‡a ‚ quase tao abrangente quanto o telefone (para a surpresa geral, sua aplicação mais pular ‚ o correio sentimental). A recente interligação do Minitel representou um acréscimo de quase 10 milhões de usuarios potenciais a Internet. Ward Chritstianson, autor do Xmodem (protocolo para a transferencia de arquivos para microcomputadores) criou o primeiro BBS (Bulletin Board System, um sistema privado para troca de mensagens), o RCPM, em 1978. V rois BBS se seguiram, mas o FidoBBS, criado no fim de 1983, por Tom Jennings, merece destaque. Em 1984, Jennings lan‡ou um software para troca de mensagens entre BBSs compat¡vel com o FidoBBS, era similar a Usenet e a BITNET, mas rodava com microcomputadores IBM-PC, o que significava que qualquer pessoa com microcomputador e modem poderia instalar seu próprio servidor. Em poucos meses, havia d£zias de servidores FidoBBS; hoje, ha dezenas de milhares.

Servidores de nomes

Até 1983, para se conectar a qualquer maquina na ARPANET era necessário conhecer o endereço de rede, algo apenas incomodo como o protocolo NCP e suas 256 combinações, mas impossível com o TCP/IP, que permitia 4 bilhões (endereços de 4 bytes). Nesta época, mesmo com a migração dos sites militares para a recém criada MILNET, a ARPANET já contava com 500 hosts. O caminho para resolver o problema foi enviado pela Universidade de Wisconsin, que criou os primeiros servidores de nomes - maquinas capazes de traduzir nomes para endereços IP, poupando o usuário de decorar endereços. Era um expediente simples, em que o servidor de nomes mantinha um arquivo texto (chamado hsts.txt) contendo o nome e os respectivos endereços de todos os computadores de rede. O arquivo era atualizado de forma centralizada pelo Network Information Center da ARPA e distribuídos para as subredes.

Euclydes de Oliveira Cardoso Júnior
São Paulo, SP, Brasil



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