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PROJETO DE PESQUISA E PLANO DE TRABALHO

“Gramática Contrastiva do Espanhol-Português”

1. TEMA

2. CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA

Como é do conhecimento de todos que atuam na área de ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras no Brasil, a situação atual do espanhol em terras brasileiras é de progresso e prestígio crescentes. O idioma de Cervantes é uma das línguas estrangeiras mais procuradas pelos estudantes brasileiros, o que se reflete na demanda de cursos em todos os níveis. Porém, devido ao fato de o ensino do idioma espanhol ser uma atividade, em âmbito nacional, ainda relativamente recente, não há no mercado acadêmico um número suficiente de publicações que venham a suprir devidamente as necessidades do aluno brasileiro estudante dessa língua. Especificamente, há muito poucos trabalhos que analisam o espanhol do ponto de vista comparado ou contrastivo do usuário do português brasileiro.

3. JUSTIFICATIVA

Este projeto de pesquisa se encaixa no ambiente de investigação acadêmica dos programas de graduação e pós-graduação do Departamento de Letras da UFPE. Especificamente, este projeto lida com o ensino de espanhol como língua estrangeira (ELE) e complementa de forma significativa as atividades de docência e pesquisa que se ocupam do processo aquisicional e do ensino formal de língua estrangeira.

Este projeto se ocupará em identificar, analisar e encontrar soluções pedagógicas para certas áreas de dificuldade no ensino-aprendizagem do espanhol para falantes do português brasileiro. Envolverá, também, como conseqüência direta desta atividade, a confecção de material didático (em hipermídia), com o objetivo de atender às necessidades do estudante brasileiro no ensino-aprendizagem de ELE, usando a Internet como ferramenta de disseminação e ensino.

Através da análise, desenho e produção de material didático original, este projeto pretende desenvolver a capacidade de investigação e de formação de docentes. Enfocará, portanto, aqueles materiais didáticos que remetam direta e especificamente às necessidades acadêmicas do aluno brasileiro de ELE. Terá, também, como objetivo acadêmico-social, fomentar nos alunos-professores brasileiros um sentido de auto-determinação e proporcionar a possibilidade de eles participarem ativamente no próprio processo de ensino-aprendizagem.

4. OBJETIVOS

O objetivo principal deste projeto de pesquisa se divide em duas partes complementares, uma na área de pesquisa e a outra na área de ensino:

  1. Pesquisa – Identificação, análise e formulação de soluções pedagógicas para certas áreas de dificuldade no ensino-aprendizagem do espanhol para falantes do português brasileiro; e

  2. Ensino – Como parte pedagógica complementar, essencial para nossa missão docente na UFPE, este projeto incluirá também a produção de material didático para o ensino de espanhol como língua estrangeira (ELE).

Outrossim, é importante salientar o seguinte sobre o projeto de pesquisa em questão:

O projeto de pesquisa aqui proposto se adequa perfeitamente ao ambiente de investigação acadêmica do programa de pós-graduação do Departamento de Letras da UFPE, complementando de forma significativa as atividades de docência e pesquisa que se ocupam do processo aquisicional e do ensino formal de língua estrangeira. Mais especificamente, este projeto se encaixa na linha de pesquisa “Lingüística Aplicada ao Ensino de Línguas Estrangeiras” do grupo de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Letras e Lingüística “Núcleo de Estudos em Compreensão e Produção (Inter) Lingüística,” liderado pela Profa. Dra. Abuêndia Padilha Peixoto Pinto e pelo Prof. Dr. Francisco Cardoso Gomes de Matos –

Este projeto de pesquisa atenderá, também, de forma tangível e imediata, às necessidades pedagógicas do nosso programa de graduação em espanhol. Através da análise, desenho e produção de material didático original para o ensino do espanhol para brasileiros, o projeto de pesquisa acima citado pretende estabelecer ou consolidar novos campos de ensino e pesquisa na nossa universidade e região, focalizando principalmente nas possibilidades oferecidas pela tecnologia da informação. Almeja, desta forma, executar um projeto de pesquisa que possa servir na formação de um quadro de excelência específico no ensino de espanhol, atendendo de forma ágil e cabal às necessidades dos estudantes dessa disciplina tanto em Pernambuco como no Nordeste.

Gostaria de observar, também, que o tema abordado neste projeto de pesquisa apresenta interfaces não só com outros grupos de pesquisa do Departamento de Letras mas também com outras áreas acadêmicas da UFPE (Ciência da Computação, Educação, Comunicação). Essa sinergia interdisciplinária poderá, no futuro, vir a facilitar a emergência de projetos conjuntos e/ou integrados.

5. METODOLOGIA

Com referência a este aspecto do projeto de pesquisa aqui proposto, é necessário identificar duas dimensões diferentes:

A abordagem a ser usada nas duas dimensões mencionadas acima será embasada na metodologia da ACTFL (American Council on the Teaching of Foreign Languages), que enfatiza um ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras que:

Mais especificamente, para esclarecer com mais detalhes a metodologia a ser usada no projeto de pesquisa aqui proposto e a minha (Prof. João Sedycias) filosofia de ensino em geral, transcrevo abaixo um documento padrão que se usa comumente nas universidades norte-americanas, a “Declaração de Filosofia de Ensino” (Statement of Teaching Philosophy):

6. DECLARAÇÃO DE FILOSOFIA PEDAGÓGICA

Considero-me uma pessoa de muita sorte por ser professor universitário, trabalhando em um campo que é ao mesmo tempo estimulante e emocionante e fazendo algo que realmente amo. De 1980 até o presente, lecionei mais de trinta disciplinas em inglês, espanhol e português para estudantes com uma gama de necessidades, nível de preparação e formação cultural bastante extensa e diversificada, tanto no Brasil como no exterior. Com base na minha experiência profissional e na pesquisa pedagógica e diretrizes defendidas por organizações tais como a ACTFL (American Council on the Teaching of Foreign Languages – Conselho Norte-Americano sobre o Ensino de Línguas Estrangeiras) e a MLA (Modern Language Association of America – Associação Norte-Americana de Línguas Modernas), que aceito e uso nas minhas aulas, pode-se discernir vários princípios relevantes que instruíram e moldaram a minha filosofia de ensino ao longo dos anos.

Diretrizes para Aulas de Língua Estrangeira

Acredito que o objetivo para a maioria dos alunos em uma classe de língua estrangeira seja dominar (i.e., obter competência comunicativa) a língua-alvo. O método de ensino que uso nas minhas aulas de inglês, espanhol ou português está embasado nessa premissa. Portanto, tento assegurar-me de que as seguintes diretrizes sejam observadas em todas as aulas de língua que leciono, independentemente do seu nível. A aula deve:

  1. Priorizar o aluno. Os estudantes, e não o professor, devem ter ampla oportunidade de praticar a língua-alvo. Como professores, não devemos jamais esquecer que os alunos são a razão por que estamos na sala de aula. São, portanto, a nossa raison d’être.

  2. Priorizar a competência comunicativa do aluno. O professor não está na sala de aula para ensinar regras gramaticais per se e sim para facilitar a aquisição por parte dos alunos de habilidades que lhes permitam se comunicar adequadamente usando a língua-alvo.

  3. Refletir e retratar a vida real dos falantes nativos da língua-alvo, e sempre que possível usar materiais oriundos de contextos reais e autênticos.

A priorização do aluno remete ao meu esforço consciente de gastar o mínimo de tempo “discursando” em aula. Em vez disso, tento fazer com que os meus estudantes usem o tempo da aula para praticar a língua-alvo. Assim como quando se aprende a nadar, os alunos só dominarão a língua-alvo se eles próprios a praticarem. Se quem “nada” sou eu, eles terão menos proveito do que se forem eles quem “nadar.” Eles aprendem a língua praticando. Enfatizo as atividades dos alunos, tanto na aula como fora dela, tentando fazer com que eles usem qualquer oportunidade que tiverem para pôr em prática os seus conhecimentos da língua-alvo comigo, com seus colegas ou com outros professores.

A priorização da competência comunicativa do aluno se baseia nas diretrizes da ACTFL no que diz respeito ao aprendizado de línguas estrangeiras e se refere a habilidades reais e utilizáveis na língua-alvo, ao contrário da visão mais tradicional do número de anos que o aluno passou estudando a língua.

A orientação de conteúdo (i.e., a necessidade de refletir e retratar a vida real dos falantes nativos da língua-alvo) da minha filosofia de ensino se baseia também nas diretrizes da ACTFL e se refere a materiais oriundos de contextos reais e autênticos que proporcionem aos nossos alunos tópicos de exploração enfatizando temas atuais, reais e interessantes.

Como produto de um ambiente internacional, acredito na filosofia e no modus operandi defendidos pela ACTFL e a MLA, e tento incorporar essas diretrizes em todas as minhas aulas de língua e literatura estrangeira. O método descrito acima é algo que faço muito naturalmente, pois foi assim que adquiri as línguas estrangeiras que falo hoje (inglês, espanhol, francês, alemão, hebraico e norueguês).

Modus Operandi de Aulas de Língua Estrangeira

Acredito que uma língua estrangeira deva ser ensinada no contexto de sua cultura e que o professor deva estar bem informado sobre esse aspecto da língua. Além disso, sempre que possível a língua-alvo deve ser enfocada e estudada em contexto, não somente lingüístico mas também social e situacional. A aprendizagem de uma língua estrangeira deve ser ativa, agradável e deve enfatizar a auto-expressão do aluno, porque a motivação deste é profundamente influenciada pelo seu desejo de se comunicar de forma significativa sobre tópicos relevantes.

Isso não quer dizer que não haja espaço nas minhas aulas para a gramática, especialmente se estamos lidando com tópicos que são particularmente difíceis para estudantes lusófonos de língua inglesa, tais como a colocação (collocation), o inventário fonológico inglês, o uso das preposições, os verbos compostos, etc. Na aula, respondo de forma sucinta e rápida quaisquer perguntas sobre gramática usando exemplos em contexto, e sempre tento usar a língua-alvo para dar essas explicações. Se os alunos não têm perguntas, então certifico-me de que eles compreenderam os pontos gramaticais em questão, através de breves conversações usando essas estruturas, verificando o trabalho de casa ou aplicando um pequeno teste. É nessa hora – quando enfocamos questões gramaticais – que corrijo erros ou lido com quaisquer dúvidas sobre a estrutura formal da língua que eles possam apresentar.

Uma maneira de esclarecer perguntas sobre gramática (que os estudantes invariavelmente fazem) numa aula dedicada à aquisição de competência comunicativa na língua-alvo é lidar com essas perguntas sempre usando o idioma estrangeiro. Dessa forma podemos cumprir a principal exigência da competência comunicativa, já que estaremos produzindo uma situação contextualizada, na qual tanto o professor como os alunos interagem e se comunicam de forma significativa e natural sobre tópicos relevantes para ambos usando a língua-alvo.

Sempre que estou envolvido numa conversação na língua-alvo com um aluno, tento não corrigir explicitamente possíveis erros gramaticais que ele ou ela venha a fazer, a não ser que esses erros impossibilitem a devida compreensão do que a pessoa esteja tentando dizer. Se esse for o caso, tento corrigir o aluno com “insumo de apoio” [“sympathetic feedback”], reagindo de forma positiva e compreensiva e expressando corretamente, com outras palavras, o que o aluno acaba de dizer. Não é preciso dizer que é muito importante para um professor de língua estrangeira ter paciência e ser um ouvinte atento. Nas minhas aulas, estou sempre tentando falar menos e escutar mais. Não obstante, estou ciente de que o método descrito acima não é o único enfoque eficiente de ensino de línguas estrangeiras e, contanto que sejam eficazes, estou aberto para novas idéias e abordagens.

A Internet como Ferramenta no Ensino de Línguas Estrangeiras

Comecei a estudar as línguas de programação da World-Wide-Web (HTML, DHMTL, Java e CGI Script, etc.) em 1996, e há aproximadamente três anos comecei a usar a Internet como um importante componente nas minhas aulas de língua estrangeira na Universidade de Brasília. A Internet oferece muitas possibilidades e até agora tem demonstrado ser um excelente fórum e instrumento de ajuda pedagógica para mim e para os meus alunos nas nossas discussões acerca de como abordar e elaborar novas maneiras para melhor compreender e dominar certos aspectos problemáticos das línguas inglesa e espanhola com relação ao idioma português.

O modus operandi que empreguei na Universidade de Brasília, e que pretendo continuar usando na UFPE – com a ajuda do Programa Enxoval – nas aulas de língua estrangeira que farão uso extensivo da Internet é relativamente simples: a partir de sugestões feitas pelos meus alunos ou a partir da minha percepção de alguma dificuldade que eles possam estar tendo com a língua-alvo, colocarei informação na Internet lidando com esse problema. O material colocado no ar será lido e analisado pelos alunos em casa, discutido e exercitado na aula em um contexto comunicativo e, a partir do retorno que recebo deles, farei as mudanças ou adições necessárias. Os alunos voltarão a analisar e exercitar o mesmo material e seguiremos adiante a partir desse ponto, percorrendo as mesmos passos básicos descritos acima, até atingirmos domínio comunicativo da estrutura em questão.

O meu uso da Internet em cursos de língua estrangeira é feito com dois objetivos em mente: 1) para lidar direta e especificamente com as necessidades acadêmicas dos meus alunos; e 2) para dar-lhes um sentido de autodeterminação e a possibilidade de eles participarem no próprio processo de ensino-aprendizagem, no qual passam a desempenhar um papel mais ativo. Usando esse modelo, posso atender às necessidades dos meus alunos de maneira interativa, rigorosamente pesquisada e que remete diretamente às suas expectativas e aspirações acadêmicas. Em vez de receber quase toda sua informação de um livro texto que provavelmente não foi escrito pensando neles, os meus alunos agora têm à sua disposição informação formal sobre a língua-alvo que de fato reflete os seus próprios insumos, necessidades e aspirações.

Com base na minha experiência na Universidade de Brasília, posso afirmar que a melhora em termos de disposição na sala de aula por parte dos alunos tem sido significativa e visível. Isso acontece, creio eu, porque esses estudantes podem ver algo deles mesmos no que está sendo apresentado na aula. O projeto do curso deixa de ser elaborado apenas pelo professor ou pelo autor do livro texto, e passa a ser construído pelos próprios alunos também. Os alunos invariavelmente se orgulham desse projeto de grupo e na maioria das vezes atingem um nível de desempenho bastante alto, geralmente bem melhor do que se um modelo mais passivo, menos interativo e menos envolvente fosse usado.

7. BIBLIOGRAFIA

  1. Duarte, Cristina Aparecida. Diferencias de usos gramaticales entre el español y el portugués. Madrid: Edinumen, 1999.

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  8. Criado de Val, Manuel. Fisionomía del idioma español: Sus características comparadas con las del francés, italiano, portugués, inglés y alemán. Madrid: Aguilar, 1962.

  9. Feijóo Hoyos, Balbina Lorenzo. Diccionario de falsos amigos del español y del portugués / Dicionário de falsos amigos do espanhol e do português. Brasília: Embajada de España, 1992.

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  16. Uppendahl, Klaus. A negação em português, com referências a outras línguas, especialmente o espanhol. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1979.

    Recife, 09 de novembro de 2002

    João Sedycias, Ph.D.
    Professor de Inglês e Espanhol e
    Coordenador da Área de Inglês (Língua e Literatura)
    Departamento de Letras, Universidade Federal de Pernambuco



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